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sábado, 29 de setembro de 2018

Visão Retrospectiva, no momento da morte

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Este é um dos fenômenos mais singulares que ocorrem em todos os casos de morte natural e, até mesmo, em algumas mortes subitâneas, por acidentes diversos.
A pessoa, nos instantes finais de sua existência, vê passar diante de si, como numa tela de cinema ou num monitor de vídeo, toda a Vida que está prestes a deixar. Os primeiros meses do renascimento, a pré-infância, a infância, a puberdade, a adolescência, a juventude e a fase adulta, tudo, tudo que foi experimentado em cada um desses estágios do desenvolvimento bio-psicológico do ser humano, vem à tona com uma riqueza de pormenores, absolutamente, incomum.
Deve-se este fenômeno ao registro minucioso feito pelo corpo perispiritual de todos os acontecimentos vividos pelo ser humano em cada uma de suas existências. Nada deixa de ser fixado pelo envoltório sutil da alma, e é, graças a essa transcrição minuciosa, que podemos, aqui mesmo, em nosso mundo e, mais tarde, na Vida Espiritual, lembrar-nos de todas as nossas existências pregressas.
Essa visão retrospectiva possibilita ao ser uma contemplação crítica e analítica de todas as ações por ele praticadas, durante a última existência, num prévio julgamento consciencial, com vistas à situação que ele merece na Pátria Espiritual.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Justiça das Reencarnações

Bem-aventurados os que choram, pois que serão consolados. – Bem- aventurados os famintos e os sequiosos de justiça, pois que serão saciados. – Bem- aventurados os que sofrem perseguição pela justiça, pois que é deles o reino dos céus. (S. MATEUS, cap. V, vv. 5, 6 e 10.)
Bem-aventurados vós que sois pobres, porque vosso é o reino dos céus. – Bem- aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis saciados. – Ditosos sois, vós que agora chorais, porque rireis. (S. LUCAS, cap. VI, vv. 20 e 21.)
Mas, ai de vós, ricos que tendes no mundo a vossa consolação. – Ai de vós que estais saciados, porque tereis fome. – Ai de vós que agora rides, porque sereis constrangidos a gemer e a chorar. (S. LUCAS, cap. VI, vv. 24 e 25.)

domingo, 9 de junho de 2013

Vidas Passadas

É possível saber o que fomos em vidas passadas?
Ensina a Doutrina Espírita que todas as vivências da alma, sejam elas positivas ou negativas, desta vida ou de outras vidas, não se perdem jamais. Ficam registradas na mente, em ordem cronológica, mas a alma mantém no consciente somente as lembranças que lhe são úteis; as demais permanecem no inconsciente, que é uma espécie de arquivo-morto, ao qual ela tem acesso quando necessário.
Ao reencarnar, a alma se submete a um processo de esquecimento, e isso ocorre por três razões principais: a primeira, para que os erros do passado ou posições de destaque, geradores de remorsos ou de vaidades, não perturbem o propósito de renovação íntima; a segunda, para que o pleno conhecimento dos desafetos e dos fatos que geraram a discórdia não dificultem o reajustamento; a terceira, para que não haja repetição de certas experiências que lhe são mais agradáveis, o que retardaria o progresso, uma vez que elas já estão incorporadas.
Não obstante a perda da lembrança, trazemos conosco as tendências instintivas e ainda temos a voz da consciência a nos orientar na presente jornada. Uma análise sincera dos nossos pensamentos mais comuns, de nossos desejos principais e de nossas reações, bem como dos acontecimentos hoje vividos, permite uma ideia geral do que fomos como ser humano, do que ainda somos e do que precisamos conquistar.
Com esse conhecimento e o firme propósito de alcançar renovação interior, de conformidade com o amor e a justiça de Deus, é possível à criatura avançar no seu progresso, desenvolvendo virtudes e eliminando imperfeições, sentimentos inferiores e vícios.
Não raro, porém, Deus permite a certas pessoas a lembrança de outras vidas, e quando isso ocorre é sempre com um fim útil, certamente para fazê-las avançar. Essa lembrança pode ser natural, sem a barreira que normalmente o corpo oferece, o que frequentemente acontece quando a reencarnação é muito próxima do desencarne; pode ainda ser despertada em sonhos, ou mesmo através da mediunidade.
Ultimamente, no Brasil e nos Estados Unidos, médicos, psicólogos e pesquisadores têm-se valido da regressão de memória (TVP) para tratar das pessoas, fazendo com que retornem a vidas passadas que continuam a refletir na vida presente, com resultados extraordinários. Esse trabalho, de caráter científico, tem demonstrado, de maneira irrefutável, a reencarnação.
Em qualquer das formas de recordação do passado, é possível se saber que personalidade fomos, onde e quando vivemos e o que fizemos. A mente, seja no transe hipnótico ou numa regressão espontânea, libera os arquivos mentais, tal como se colocássemos no videocassete um filme em que somos a personagem principal, com a diferença de que igualmente vivenciamos as emoções do fato. Não há uma volta efetiva no tempo, de modo a permitir alteração dos acontecimentos, mas simples lembrança.
Quando isso ocorre, é porque a pessoa está preparada emocionalmente para suportar uma vivência do passado, cujo conhecimento lhe permitirá melhor compreender o presente, liberando-se de traumas e sentimentos que ainda carrega consigo.
Mas é importante ressaltar que o passado não pode ser buscado por mera curiosidade e nem por leigos, porque o despreparo pode trazer consequências desastrosas, com abalos emocionais de difícil reajuste.
Autor: Donizete Pinheiro
Livro: Respostas Espíritas – Edições Sonia Maria – 1ª Edição – Capítulo: 58 - São Paulo – 1997

Aparições

Os Espíritos podem aparecer para os vivos?
Os espíritos nada mais são do que nós mesmos, depois da morte do corpo carnal. Permanecem individualizados graças a outro corpo mais fluídico, denominado perispírito, não perceptível diretamente pelos nossos cinco sentidos humanos. Embora em outro estado, a substância que reveste o espírito continua sendo matéria. Em algumas circunstâncias especiais, os espíritos podem aparecer para nós, e o fazem pela sua vontade, agrupando as moléculas perispirituais.
O fenômeno nada tem de sobrenatural e inclui-se dentro da Física, ciência que de há muito estuda os diversos estados da matéria (ou energia). Haveria, no caso, uma espécie de condensação, como a que ocorre quando as moléculas de água existentes no ar (que também são invisíveis) se liquefazem em decorrência da baixa temperatura.
Os espíritos podem graduar a intensidade da condensação de modo a se tornarem visíveis apenas a uma pessoa ou então a todas as pessoas presentes num determinado local. Foi isso o que aconteceu nas diversas aparições de Jesus após a crucificação, quando o Mestre mostrou-se a Madalena no terceiro dia e posteriormente aos apóstolos. E inúmeras são as narrativas sobre a aparição de mortos em livros, jornais e televisão. Não raro, ouvimos pessoas amedrontadas contando do encontro com amigos ou familiares que já morreram.
É possível, pois, especificarmos situações diferentes relacionadas com a aparição dos espíritos. Num grau de menor condensação, os espíritos se fazem visíveis a pessoas mais sensíveis, as quais a Doutrina Espírita denominou de médiuns videntes. Nesse caso, somente as pessoas dotadas dessa mediunidade é que podem vê-los.
Intensificando a vibração, os espíritos podem se deixar ver por várias pessoas, sem que estas precisem ter mediunidade. Num grau maior, os espíritos adquirem a tangibilidade, ou seja, podem ser tocados, como aconteceu com Jesus quando falou a Tomé para por o dedo em sua mão, no lugar dos cravos da crucificação. Nessa condição, o espírito pode inclusive agir como se fosse um encarnado. Sobre isso tivemos notícia de que certa paciente de um hospital contou ter passado mal à noite e que foi atendida por um médico; ao descrevê-lo, disseram-lhe que isso seria impossível, uma vez que o médico cujas características apontara já havia morrido.
Há também a materialização, que é um fenômeno mediúnico. Determinado médium de efeitos físicos fornece uma substância chamada ectoplasma, de natureza fluídica e maleável, expelida do corpo pelos orifícios superiores, a qual é utilizada pelo espírito para modelar o seu perispírito, tornando-o tangível. Disso existem provas materiais, consistentes de peças moldadas em cera e muitas fotografias tiradas em experiências realizadas por pessoas sérias e idôneas.
Necessário ressaltar que, seja na aparição ou na materialização, o espírito pode mostrar-se por inteiro ou apenas parcialmente, só a cabeça por exemplo. E ainda que a aparição pode ser rápida como um flash de luz, ou então mais prolongada, dependendo de sua vontade.
O importante desse tema é o nosso despertamento para a realidade espiritual, aprendendo a nos relacionarmos com tranqüilidade com os chamados mortos, que na verdade estão mais vivos do que nós.
Autor: Donizete Pinheiro
Livro: Respostas Espíritas – Edições Sonia Maria – 1ª Edição – Capítulo: 57 - São Paulo – 1997

sábado, 6 de abril de 2013

Reencarnação


Como é possível acreditar na Reencarnação?

Pela observação e análise dos fatos.  Vários são os argumentos que demonstram a realidade da reencarnação, mas tentaremos dar aqui os principais.

Em primeiro lugar, não podemos esquecer que Deus é justo e bom, em perfeição.  Portanto, não concede privilégios e nem permite sofrimento indevido.

Admitindo-se que a alma vive apenas uma vez e foi criada no momento do nascimento, como explicar os diversos defeitos e doenças congênitos?  Como pode um Deus justo permitir que uns filhos nasçam em berços de ouro e outros na choupana, na maior miséria?  E as habilidades pessoais inatas, manifestadas em crianças desde a tenra idade, como os músicos precoces, sem que nunca tivessem tido contato antecedente com a teoria?

Agora, consideremos que as condições boas ou ruins da vida presente são resultado daquilo que semeamos em vidas passadas, num encadeamento sucessivo de acontecimentos, e tudo parece ficar para nós mais claro e mais consentâneo com a Justiça Divina.

Destarte, aquele que foi rico ou explorador de pobres numa encarnação retorna em situação de miséria na vida seguinte, em novo corpo, para, pelo contraste, aprender a respeitar o semelhante.  E o sábio de hoje é fruto do amadurecimento da alma em diversas vidas anteriores, assim como o ignorante de hoje terá oportunidade de reencarnar várias vezes até igualmente conseguir a sabedoria.

Existem milhares de casos pessoais comprovando a reencarnação.  Crianças afirmaram, espontaneamente, recordar terem vivido em outro local, com outra família, falando outra língua, e tudo foi confirmado.  Experiências de regressão da memória levaram pacientes a mudar de personalidade várias vezes, à medida que voltaram no tempo, sem que tivessem qualquer conhecimento dos fatos relatados.

O que parece difícil para muitas pessoas é entender como podemos tornar a ser criança e entrar num novo corpo.  Superficialmente, porque o aprofundamento do tema não é nosso objetivo, podemos dizer que a explicação está na plasticidade do corpo espiritual, que se reduz para adotar outra forma e habitar o novo corpo, sendo o espírito submetido a um parcial esquecimento do passado.

A reencarnação amplia a nossa esperança.  Somos ainda espíritos imperfeitos.  Morrendo na situação em que nos encontramos atualmente, com certeza estaríamos destinados ao suplício eterno, se ele existisse.  Mas Deus quer a regeneração do criminoso e não a sua destruição, abrindo as portas da reencarnação para continuarmos trabalhando pelo nosso progresso, até atingirmos a pureza.

Autor:  Donizete Pinheiro
Livro:  Respostas Espíritas – Edições Sonia Maria – 1ª Edição – Capítulo:  05  – São Paulo – 1997

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Mecanismos da Reencarnação



 
Podemos tratar este tema sob dois aspectos: científico e filosófico.

O aspecto científico vai requerer um maior aprofundamento, e um maior conhecimento das ciências biológicas e da física, o que não é o objetivo deste curso.  Portanto, trataremos aqui somente do aspecto filosófico.

Tomaremos como roteiro o capítulo 13 do livro Missionários da Luz de André Luiz. Não é que todos os processos reencarnatórios sejam desta forma, mas acreditamos que este capítulo fala de uma forma geral e bastante completa da programação e da assistência espiritual realizada, quando este processo está em vias de execução.

Para iniciar, André Luiz esclarece que irá visitar em companhia do instrutor Alexandre, o lar de Adelino e Raquel, onde se verificaria a reencarnação de Segismundo.

Numa encarnação anterior, Adelino tinha sido vítima de Segismundo. Este o tinha assassinado, e no momento presente havia sido programado para ambos uma reencarnação de reajuste em bases de perdão.

Notamos no princípio um momento de angústia por parte do reencarnante que normalmente antecede o processo reencarnatório. Para melhores esclarecimentos, recomendamos a leitura do capítulo 47 do livro “Nosso Lar”, A volta de Laura, do mesmo autor espiritual.

Mas o instrutor Alexandre o tranqüiliza: Tenha coragem. O ensejo próximo é divino para o seu futuro espiritual. Organizaremos as coisas; não tenha receio.

A condição espiritual de Adelino, o pai, não era das melhores. Apesar das promessas no plano espiritual, este não tinha trabalhado o perdão em sua intimidade, e toda vez que Segismundo aproximava-se espiritualmente, a aflição era o sentimento que o dominava.

É digno de destaque, a assistência espiritual recebida pelo casal, quando este sintoniza com as determinações do Alto, dando assim condição para que se execute o programa traçado na espiritualidade. Além de Alexandre e André Luiz, existiam vários outros Espíritos a amparar toda a família neste momento.

Havia ali naquele ambiente, não obstante à proteção espiritual, uma grande dificuldade de execução do programa, devido aos conflitos vibratórios causados pela incompreensão das criaturas envolvidas no processo.

Dessa forma, os Espíritos que realizavam a proteção do lar de nossos irmãos programaram um momento de contato entre eles durante o sono físico, a fim de que algumas arestas pudessem ser aparadas.

Não foi fácil; a princípio houve uma grande aversão entre pai e filho. É que a aproximação de Segismundo despertava em Adelino reencarnado as reminiscências do passado sombrio, nos esclarece o autor, e continua: Ele, a vítima de outro tempo, não conseguia localizar os fatos vividos, mas experimentava, no plano emotivo, as recordações imprecisas dos acontecimentos, cheias de ansiedades dolorosas. Mas como prova de que o amor é mais forte em todos os cantos do universo, a interseção de Alexandre trabalhando o perdão entre ambos, promoveu uma paz momentânea entre os dois.

Poderíamos perguntar, por que a necessidade do pai de aceitar o filho. Não poderia a espiritualidade impor a reencarnação sem maiores embaraços?

Informa Alexandre que o pensamento envenenado de Adelino destruía a substância de hereditariedade, intoxicando a cromatina dentro da própria bolsa seminal. Ele poderia atender aos apelos da Natureza, entregando-se à união sexual, mas não atingiria os objetivos sagrados da Criação, porque pelas disposições lamentáveis de sua vida íntima, estava aniquilando as células criadoras, ao nascerem, e, quando não as aniquilasse por completo, intoxicava os genes do caráter, dificultando-nos a ação. (…)

Segismundo iria receber nesta encarnação, um organismo que o proporcionaria uma moléstia do coração na idade madura, como conseqüência da falta cometida no passado. Mas isso não seria definitivo, noticia Herculano, um outro instrutor presente, porque a justiça divina nunca se manifesta sem a misericórdia, a que sempre se referiu Jesus em seu apostolado.

Passados os primeiros momentos, em que o equilíbrio entre os elementos envolvidos no processo era o mais importante, os mentores do Plano Maior passaram a trabalhar diretamente no processo de ligação do Espírito às suas necessidades reencarnatórias.

Mas antes de tratarmos com maiores detalhes sobre a ligação do Espírito com o corpo, lembremos da afirmativa de Alexandre de que nem todas as criaturas passam por esse instante, de uma forma consciente:

(…) A maioria dos que retornam à existência corporal na esfera do globo é magnetizada pelos benfeitores espirituais, que lhe organizam novas tarefas redentoras, e quantos recebem semelhante auxílio são conduzidos ao templo maternal de carne como crianças adormecidas. (…). São inúmeros os que regressam à Crosta nessas condições, reconduzidos por autoridades superiores de nossa esfera de ação, em vista das necessidades de certas almas encarnadas, de certos lares e determinados agrupamentos.

Era chegado o momento da primeira ligação de Segismundo à matéria, portanto a assistência Espiritual se fazia altamente necessária. Como atuaria Alexandre neste processo, agiria no momento da união sexual? É ele quem, sempre paciente, esclarece:

Não é necessária a nossa presença ao ato de união celular. Semelhantes momentos do tálamo conjugal são sublimes e invioláveis nos lares em bases retas. Você sabe que a fecundação do óvulo materno somente se verifica algumas horas depois da união genesíaca. O elemento masculino deve fazer extensa viagem, antes de atingir o seu objetivo. Temos tempo (…)

Era chegado o momento a que denominamos restringimento do corpo espiritual.

Os Espíritos Construtores começaram o trabalho de magnetização do corpo perispirítico, no que eram amplamente secundados pelo esforço do abnegado orientador, que se mantinha dedicado e firme em todos os campos de serviço.

Sem que me possa fazer compreendido, de pronto, pelo leitor comum, devo dizer que “alguma coisa da forma de Segismundo estava sendo eliminada”. Quase que imperceptivelmente, à medida que se intensificavam as operações magnéticas, tornava-se ele mais pálido. Seu olhar parecia penetrar outros domínios. Tornava-se vago, menos lúcido.

A certa altura, Alexandre falou-lhe com autoridade:

Segismundo, ajude-nos! Mantenha clareza de propósitos e pensamento firme!

Tive a impressão que o reencarnante se esforçava por obedecer.

Agora, continuou o instrutor, sintonize conosco relativamente à forma pré-infantil. Mentalize sua volta ao refúgio maternal da carne terrestre! Lembre-se da organização fetal, faça-se pequenino! Imagine sua necessidade de tornar a ser criança para aprender a ser homem!

Compreendi que o interessado precisava oferecer o maior coeficiente de cooperação individual para o êxito amplo. Surpreendido, reconheci que, ao influxo magnético de Alexandre e dos Construtores Espirituais, a forma perispiritual de Segismundo tornava-se reduzida.

A operação não foi curta, nem simples. Identificava o esforço geral para que se efetuasse a redução necessária.

Segismundo parecia cada vez menos consciente. Não nos fixava com a mesma lucidez e suas respostas às nossas perguntas afetuosas não se revelavam completas.

Por fim, com grande assombro meu, verifiquei que a forma de nosso amigo assemelhava-se à de uma criança.

Quando é dito que o corpo espiritual de Segismundo foi reduzido para o tamanho de uma criança, precisamos analisar esta palavra num sentido mais amplo.

A que tamanho terá sido restringido o perispírito de Segismundo? O instrutor pediu ao reencarnante: Lembre-se da organização fetal, faça-se pequenino. Particularmente, entendemos que aqui o corpo espiritual fica exatamente do tamanho da célula-ovo.

Em seguida, os Espíritos construtores analisam os mapas cromossômicos e que está tudo bem, à exceção do tubo arterial na parte a dilatar-se para o mecanismo do coração. Mas nos informam ainda que se o reencarnante souber valorizar as oportunidades do futuro, possivelmente conquistará o equilíbrio do aparelho circulatório. É a aplicação da máxima evangélica: O amor cobre a multidão de pecados.

Através desta obra, ficamos sabendo também que o trabalho torna-se mais atuante por parte da espiritualidade, até os sete anos de idade do Espírito reencarnante, época em que o processo reencarnacionista estará consolidado.

Chegado o momento, era necessário realizar o ato de ligação inicial, em sentido direto, de Segismundo com a matéria orgânica.

Logo após penetrávamos o aposento conjugal, onde o espetáculo íntimo era divinamente belo (…)

Os amigos invisíveis do lar, companheiros de nosso plano, haviam enchido a câmara de flores de luz (…)

Mais de cem amigos se reuniam ali, prestando-lhe afetuosa homenagem (…)

O quadro era lindo e comovedor (…)

Valendo-me daquele instante (…), perguntei:

Nosso irmão reencarnante apresentar-se-á, mais tarde, entre os homens, tal qual vivia entre nós? Já que suas instruções se baseiam na forma perispiritual preexistente, terá ele a mesma altura, bem como as mesmas expressões que o caracterizavam em nossa esfera?

Alexandre respondeu sem titubear:

Raciocine devagar, André! Falamos da forma preexistente, nela significando o modelo de configuração típica ou, mais propriamente, o uniforme humano. Os contornos e minúcias anatômicas vão se desenvolver de acordo com os princípios de equilíbrio e com a lei da hereditariedade (…) Adicione porém, a esse fator primordial, a influência dos moldes mentais de Raquel, a atuação do próprio interessado, o concurso dos Espíritos Construtores (…), e poderá fazer uma idéia do que vem a ser o templo físico que ele possuirá, por algum tempo, como dádiva da Superior Autoridade de Deus (…)

Segismundo terá então, insisti, uma forma física eventual, imprecisa, por enquanto, ao nosso conhecimento?

O instrutor esclareceu sem demora:

Se estivéssemos diretamente ligados ao caso dele, estaríamos de posse de todas informações referentes ao porvir, nesse particular, mas a nossa colaboração neste acontecimento é transitória e sem maior significação no tempo. Os orientadores de Segismundo, porém, nas esferas mais altas, guardam o programa traçado para o bem do reencarnante. Note que me refiro ao bem e não ao destino.

Devido a importância deste esclarecimento, continuamos com Alexandre:

Os contornos anatômicos da forma física, disformes ou perfeitos, longilíneos ou brevilíneos, belos ou feios, fazem parte dos estatutos educativos (…) Pormenores anatômicos imperfeitos, circunstâncias adversas, ambientes hostis, constituem, na maioria das vezes, os melhores lugares de aprendizado e redenção para aqueles que renascem (…). Em vista disso, o mapa alusivo a Segismundo está devidamente traçado, levando-se em conta a cooperação fisiológica dos pais, a paisagem doméstica e o concurso fraterno que lhe será prestado por inúmeros amigos daqui. (…)

Finda esta conversa instrutiva, Alexandre atendendo o pedido dos Espíritos Construtores, realiza uma prece, para depois entregarem o reencarnante aos braços maternais.

É quando André Luiz nos informa:

Segismundo ligara-se a ela como a flor une à haste. Então compreendi que, desde aquele momento, era alma de sua alma aquele que seria carne de sua carne.

E dando continuidade, Alexandre disse:

Agora, auxiliemos nosso amigo no primeiro contato com a matéria mais densa. (…)

(…) Auxiliado pelo concurso magnético do mentor querençoso, passei a observar as minúcias do fenômeno da fecundação.

Através dos condutos naturais, corriam os elementos sexuais masculinos, em busca do óvulo (…). Surpreendido, reconheci que o número deles se contava por milhões e que seguiam, em massa, para frente, em impulso instintivo, na sagrada competição.

(…) Segundo depreendi, ele (Alexandre) podia ver as disposições cromossômicas de todos os princípios masculinos em movimento, depois de haver observado, atentamente, o futuro óvulo materno, presidindo ao trabalho prévio de determinação do sexo do corpo a organizar-se.

Após acompanhar, profundamente absorto no serviço, a marcha dos minúsculos competidores que constituíam a substância fecundante, identificou o mais apto, fixando nele o seu potencial magnético, dando-me a idéia de que o ajudava a desembaraçar-se dos companheiros para que fosse o primeiro a penetrar a pequenina bolsa maternal. O elemento focalizado por ele ganhou nova energia sobre os demais e avançou rapidamente na direção do alvo. (…) Sempre sob o influxo luminoso magnético de Alexandre, o elemento vitorioso
prosseguiu a marcha, depois de atravessar a periferia do óvulo, gastando pouco mais de quatro minutos para alcançar o seu núcleo. Ambas as forças, masculina e feminina, formavam agora uma só, convertendo-se ao meu olhar em tenuíssimo foco de luz (…).

Depois de prolongada aplicação magnética, que era secundada pelo esforço dos Espíritos Construtores, Alexandre aproximou-se de mim e falou:

Está terminada a operação inicial de ligação. Que Deus nos proteja.

Após esta operação, André Luiz diz que estava boquiaberto com o que vira, e podemos dizer: nós também!

Através destas breves narrativas, quisemos simplesmente mostrar algo a respeito do mecanismo da reencarnação (que não termina aqui), e que durante todo o processo reencarnatório há uma linda programação a ser executada.

É claro que nem todos os casos são tratados desta forma, mas como sabemos que Deus é Justiça, podemos seguramente dizer que Ele, através de seus Prepostos, de uma forma ou de outra, preside todos os movimentos palingenésicos.

Livro:  Apostila do Curso de Espiritismo e Evangelho
Centro Espírita Amor e Caridade - Goiânia – GO - 1997
Livros Pesquisados:
“Missionários da Luz”, pág. 182, 194, 197, 206, 207, 214,
215, 226, 227, 230 à 233