
Este blog tem por finalidade reunir artigos sobre Espiritismo. Idealizadora e Resp. Técnica (ROSANE MERAT) 2008-2022.
Conhecendo o Espiritismo
quarta-feira, 23 de maio de 2018
Mediunidade e Mistificação

Resposta de Companheiro

domingo, 18 de fevereiro de 2018
Mediunidade no Mundo Espiritual

sábado, 30 de dezembro de 2017
Eclosão da Mediunidade

domingo, 15 de setembro de 2013
Bom Médium
Encontraremos na narrativa de O Evangelho Segundo Lucas o encontro entre Jesus e um homem rico, de destacada posição social na comunidade judaica. Em clara demonstração de referência e admiração, o insigne judeu Lhe perguntou: Bom Mestre, que devo fazer para herdar a vida eterna? Ao que Jesus replicou: Por que me chamas bom? Ninguém é bom, senão só Deus!
Numa análise superficial, não encontraríamos justificativa para que o Mestre contestasse o título “bom”, haja vista que – de fato – Ele o era, e que se tratava de uma saudação amistosa e reverente. Além disso, diferente de muitas outras autoridades que buscaram Jesus para confrontá-lo, aquele nobre hebreu desejava, sinceramente, aprender com o Raboni de Deus.
Por essas palavras, Jesus não anelava descartar aquele homem rico e bem posicionado, como encontraremos explanado na magistral interpretação de Allan Kardec acerca da salvação dos ricos, contida em O Evangelho Segundo o Espiritismo, muito ao contrário, desejava tê-lo entre Seus discípulos.
Nada obstante, Jesus nunca desaproveitava as oportunidades para moralizar e desenvolver inteligências, ensinando a pensar, e, por conseguinte, ensinando a melhor maneira de bem viver.
O respeito e a deferência são valores muito nobres, e devem ser aplicados não somente no tratamento para com aqueles em posição superior, mas também aos compares e subalternos, indiscriminadamente. Contudo, poder-se-ia interpretar a postura de Jesus como uma advertência, para que fugíssemos da prática do enaltecimento exagerado, e da adulação visando à obtenção de favores e privilégios indevidos.
A sabedoria das lições do Mestre Amorável são de pragmatismo ímpar, posto que a aplicabilidade de Sua doutrina logra bom êxito prático em todas as situações da vida, e em qualquer época histórica, mormente nos dias atuais, quando – a propósito dos ensinos apreendidos dessa passagem evangélica – poder-se-ia estender a preciosíssima instrução do Nazareno até um dos maiores escolhidos da prática mediúnica: a interferência dos espíritos imperfeitos nas comunicações espirituais.
Assédio persistente de um espírito sobre o outro, a obsessão se afigura como o mais grave drama que pode assolar a tarefa mediúnica, e nem mesmo os médiuns mais dignos e moralizados estão livres da ação dos espíritos levianos e pseudossábios. Além do mais, também assevera Allan Kardec que As boas intenções, a própria moralidade do médium nem sempre são suficientes para o preservarem da ingerência dos espíritos levianos, mentirosos ou pseudossábios, nas comunicações. Além dos defeitos de seu próprio espírito, pode dar-lhes guarida por outras causas, das quais a principal é a fraqueza de caráter e uma confiança excessiva na invariável superioridade dos espíritos que com ele se comunicam.
É possível reconhecer o médium sob má influência pelos seguintes caracteres, entre outros: confiança do médium nos elogios que lhe fazem os Espíritos que com ele se comunicam; disposição para afastar-se das pessoas que podem lhe dar úteis conselhos; levar a mal a crítica, a propósito das comunicações que recebe. Dessa maneira, faz-se compreensível o efeito deletério que produz a aceitação da lisonja pelos medianeiros, sob qualquer pretexto.
Para preventivo contra essa intervenção nociva, nunca será demasiado recordar a elucidação proporcionada pelo Codificador, poderosamente capaz de mudar o ponto de vista do médium no que diz respeito à própria condição de falibilidade: Os Espíritos bons aprovam aquilo que acham bom, mas não fazem elogios exagerados. Estes, como tudo que denota lisonja, são sinais de inferioridade da parte dos Espíritos.
Além do mais, o fiel apóstolo lionês de O Espírito de Verdade explica que (...) até os melhores médiuns também são iludidos pelos espíritos inferiores com assiduidade, e que o melhor médium é aquele que, simpatizando somente com bons Espíritos, tem sido enganado menos frequentemente. Portanto, pode-se ser enganado pelos espíritos sem estar obsidiado, assim como qualquer homem honestíssimo também pode ser enganado por encarnados vigaristas. Trata-se de grave advertência do mestre Rivail/Kardec.
A conclusão racional para os inolvidáveis ensinamentos de Jesus – e de Seu mais excelente intérprete, Allan Kardec – é que todo médium deve repelir impiedosamente os elogios de todos os espíritos, ainda que se lhe apresentem como instrutores ou guias, especialmente se estiverem pregando ser dispensável o estudo metódico e continuado de todas as obras kardecianas. São sempre espíritos levianos e pseudossábios, que tendem a se impor aos homens cercando-os de lisonja e assistência, para conquistar-lhes a amizade e a confiança. O despistamento é o ato de iludir a vigilância dos médiuns, afastando suspeições.
Declinemos, pois, da adulação e da blandície indevida, traiçoeiros véus capazes de obnubilar a visão de nossa real pequenez e de levar-nos aos abismos da perturbação e do erro, jamais esquecendo que, verdadeiramente, ninguém é bom, senão só Deus.
Autor(a): Fabiano Pereira Nunes
Revista Cultura Espírita – Instituto de Cultura Espírita do Brasil (ICEB)
Ano IV – Edição nº 41 – Página: 15 – Agosto/2012.
Livros Pesquisados:
Bíblia, N. T. Lucas – Português – Bíblia de Jerusalém – Nova edição revisada e ampliada – São Paulo: Paulus, 2002 – 3ª impressão, 2004 Capítulo: 18, Versículos: 18-19, Página: 1.821.
KARDEC, Allan – O Evangelho Segundo o Espiritismo – Tradução de Guillon Ribeiro – 102ª Edição – Cap. XVI “Não se pode servir a Deus e Mamon” – Federação Espírita Brasileira (FEB) – Rio de Janeiro – 1990.
KARDEC, Allan – O Livro dos Médiuns – Tradução de Maria Lúcia Alcântara de Carvalho – 1ª Edição – Editora CELD - Segunda Parte, Capítulo XXIII, “Da Obsessão”, Itens: 237, 238 e 243 Páginas: 283, 284 e 287 - Rio de Janeiro – 2010.
KARDEC, Allan – O que é o Espiritismo – Tradução de Albertina Escudeiro Seco – 3ª Edição – Editora CELD – Capítulo II, “Qualidade dos Médiuns”, Item: 82, Página: 178 – Rio de Janeiro – 2010.
KARDEC, Allan – “Escolhos dos Médiuns” – Revista Espírita – Jornal de Estudos Psicológicos – Tradução de Evandro Noleto Bezerra – Ano II – Página: 55, Fevereiro/1859 – 3ª Edição 2ª Reimpressão – Editora Federação Espírita Brasileira (FEB) – Rio de Janeiro – 2009.
KARDEC, Allan – “Aforismas Espíritas e Pensamentos Avulsos” – Revista Espírita – Jornal de Estudos Psicológicos – Tradução de Evandro Noleto Bezerra– Ano II – Páginas: 534 e 535 – Dezembro/1859 - – 3ª Edição 2ª Reimpressão – Editora Federação Espírita Brasileira (FEB) – Rio de Janeiro – 2009.
KARDEC, Allan – O Livro dos Médiuns – Tradução de Maria Lúcia Alcântara de Carvalho – 1ª Edição – Editora CELD – Segunda Parte, Capítulo XX, “Influência Moral do Médium”, Item: 226, Perguntas: 9 e 10, Página: 264 – Rio de Janeiro – 2010.
quarta-feira, 24 de julho de 2013
Problemas com Mediunidade

É muito freqüente, no meio espírita, quase uma rotina, ouvir-se esta expressão: “O Senhor (ou a Senhora...) é médium e precisa desenvolver-se”. É o que se diz, indiscriminadamente, quando alguém se dirige a um centro à procura de solução para seu caso físico ou espiritual. Poucas, relativamente falando, são as instituições que têm certo cuidado neste sentido e, por isso mesmo, examinam primeiramente a situação da pessoa, suas reações, seu estado emocional, suas ideias e assim por diante. E somente depois dessa “tomada de contato” é que decidem se é ou não um caso de sessão mediúnica. Na maioria, porém, manda-se logo para a “mesa de desenvolvimento”, sem qualquer preparo, sem qualquer observação prévia. A própria pessoa poderá dizer, consigo mesma, que não sabe o que é isso, não sabe o que está fazendo, pois apenas lhe disseram que precisa desenvolver a mediunidade e nada mais... Isso é muito vago.
O desenvolvimento, chamemo-lo assim, é feito, portanto, de modo completamente empírico, sem a menor instrução a respeito da mediunidade, sem que o candidato a médium tenha, pelo menos, alguma noção inicial ou primária do que seja mediunidade e quais as implicações que ela possa ter, positiva ou negativamente. Nada disso se diz. O candidato vai às cegas para a mesa, simplesmente porque o mandaram e nada sabe, afinal, do papel que está desempenhando ou vai desempenhar. Há boa intenção, não há dúvida, pois há o desejo de servir, de prestar caridade, como geralmente se repete em toda parte. É necessário, porém, que haja condições decorrentes de um conjunto de providências. Lembremo-nos de que o próprio Allan Kardec, quando dirigia a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, em Paris, tinha preocupações, muito sensatas, aliás, quanto a pessoas que, sem objetivo, sem motivo sério, mas apenas para “ver como é”, queriam entrar no recinto das sessões mediúnicas.
Allan Kardec fazia, como se diz hoje, uma espécie de teste com o visitante, a fim de sondar suas intenções, seu verdadeiro propósito, seus conhecimentos gerais sobre problemas filosóficos, etc. Não levava ninguém, portanto, para a mesa de sessões, logo no primeiro momento. Hoje, no entanto, em muitos casos, procede-se de maneira bem diferente...
Poder-se-á dizer, em contrapartida, que tudo isso foi no século passado, mas, atualmente, já não há necessidade desses cuidados. Há, sim. O problema é o mesmo, ontem e hoje. Sessão mediúnica é trabalho muito sério e de grande responsabilidade. Justamente por isso, o candidato a “desenvolvimento” deve receber, pelo menos, algumas instruções gerais, sobretudo no que diz respeito à parte moral. É preciso que o médium em desenvolvimento saiba o que está fazendo, o papel que está desempenhando e, por fim, o uso que deve fazer da mediunidade. São princípios iniciais, sempre válidos em qualquer tempo.
Além de tudo, e este ponto é o mais relevante do que se possa pensar, a mediunidade é um instrumento de experiência espiritual, é um meio, em suma, é o primeiro passo, digamos, de uma jornada, que se vai empreender, visando ao melhoramento do homem. Prática mediúnica sem estudo da Doutrina, sem educação do médium, sem objetivos superiores, termina sempre caindo na rotina, no hábito, quando não se transforma em espetáculo, às vezes de mau gosto...
Há, evidentemente, uma preocupação corrente, na maioria dos casos: “preparar” médiuns para a caridade. Sim, o desejo é sincero, não duvidamos, mas não é por este meio. O médium não se “prepara” simplesmente pelo desenvolvimento, mas pela noção de responsabilidade, pela educação, pela renovação íntima, pelo conhecimento, enfim.
Autor (a): Deolindo Amorim
Revista Cultura Espírita – ICEB (Instituto de Cultura Espírita do Brasil) – Ano IV – Edição nº 38 – Página: 07 - Rio de Janeiro – Maio/2012.
Livro Pesquisado:
JORGE, José (org.) – Relembrando Deolindo – II – Editora CELD – Página: 26-28 – Rio de Janeiro – 1994
segunda-feira, 29 de abril de 2013
Médium
Qualquer um pode ser médium?
Médium é a pessoa que tem a capacidade de ser intermediária entre o mundo corporal e o espiritual. Essa capacidade é um dom do espírito, mas seu exercício depende de certas disposições orgânicas. É um compromisso assumido antes da reencarnação e que tem por finalidade a renovação espiritual do próprio médium, pelo trabalho voltado ao bem do próximo. Porém, todos nós somos mais ou menos sensitivos, ou seja, capazes de sentir de alguma forma a presença de espíritos ao nosso redor. Despreocupados dessa realidade, fatos estranhos acontecidos conosco passam sem explicação razoável, como tristezas ou alegrias repentinas; arrepios, formigamentos, dores ou doenças sem causa aparente; pensamentos contraditórios e nem por nós aceitáveis; ideias e soluções de estalo para problemas difíceis; premonições; e visões das almas de pessoas mortas.
Assim, aquele que tem essa faculdade mais aflorada é que pode ser considerado médium. Não é dom que se transfira de uma pessoa para outra e tampouco conseguiremos desenvolvê-lo em nós sem que exista o compromisso. Por mais que desejemos ser um médium psicógrafo (escreve mensagens de espíritos), se não tivermos uma tarefa com esse tipo de mediunidade não o seremos. Em razão disso, a mediunidade é acontecimento em nossa vida que deve desabrochar espontaneamente, para que possamos aproveitá-la de maneira satisfatória. Mas se aparecer, não devemos recusá-la, pois estaremos perdendo grande oportunidade de evolução ou, em muitos casos, correndo o risco de ficarmos desequilibrados por não trabalharmos com as energias que são atraídas pela nossa sensibilidade.
Há, contudo, que se tomar muito cuidado no exercício da mediunidade. É que lidamos com os espíritos e estes, sendo os próprios homens depois da morte, tanto podem ser bons como maus. E os maus não querem outra coisa a não ser a nossa infelicidade. Não basta nessa atividade os bons propósitos, pois os maus são ardilosos. É preciso prévio e teórico conhecimento do que seja o mundo espiritual, mediunidade e suas implicações. Atirando-nos diretamente à prática mediúnica, poderemos ser vítimas de processos obsessivos, ficando envolvidos pelos espíritos inferiores.
O Espiritismo possui a mais vasta literatura sobre mediunidade, ensinando-nos tudo que é de mais importante e básico para que o médium possa educar a sua faculdade, de modo que esta lhe seja útil e também ao próximo. Não é um conhecimento que pretendemos seja trancando a sete chaves, para que somente nós tenhamos o seu segredo, o qual no antigo Egito era revelado apenas aos iniciados. Pelo contrário, desejamos mesmo que todos tenham contato com essas informações, o que não significa tornar-se espírita, pois a mediunidade e o inter-relacionamento com os espíritos é fenômeno natural e atinge a todos, sem restrições.
Em um tempo não muito distante, os médicos não se preocupavam com a assepsia no trato com os doentes, acarretando muitas mortes por infecção. Após a descoberta das até então invisíveis bactérias transmissíveis de doenças infecciosas, a higiene passou a ser condição básica no tratamento médico. Agora, quando não se tem mais dúvidas quanto à existência dos espíritos, também invisíveis, precisamos aprender a conviver com eles, especialmente os que possuem a faculdade mediúnica.
Autor: Donizete Pinheiro
Livro: Respostas Espíritas – Edições Sonia Maria – 1ª Edição – Capítulo: 23 São Paulo – 1997
sábado, 12 de janeiro de 2013
Objetivos da Mediunidade
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Mediunidade
Conceito e Histórico:
O Médium é aquele que serve de instrumento entre os dois planos da vida.
De modo geral, podemos afirmar que todos somos médiuns, porque pelo simples fato de sofrermos influência de Espíritos, já estamos exercendo nossa mediunidade. De maneira mais específica, quanto à acentuação da faculdade, podemos salientar que a mediunidade é faculdade de poucos.
Em todos os tempos, a mediunidade revelou ao homem a existência do plano espiritual, por isso é vero afirmar que o fenômeno mediúnico não nasceu com o Espiritismo, e sim que existe desde as mais remotas eras da vida humana no planeta. Temos notícias das comunicações mediúnicas desde o homem primitivo caracterizando o mediunismo, passando por vários povos até atingir o rigor científico do século XIX.
As musas não eram senão a personificação alegórica dos Espíritos protetores das ciências e das artes, como, os deuses Lares e Penates simbolizavam os Espíritos protetores da família. Os feiticeiros, magos, adivinhos, e posteriormente oráculos, pítons e taumaturgos, eram todos médiuns mesmo que usando outras designações.
O profetismo em Israel tem sua origem em Moisés. No Velho Testamento, encontramos várias passagens em que o grande legislador conversa com Deus. É lógico que a conversa não é com o Criador, mas com um Espírito mensageiro de Deus. Porque Deus não entra em contato direto com os homens, mas para tal faz uso de Espíritos superiores que funcionam como intermediários entre Ele o os Espíritos de nosso nível evolutivo.
Para ilustrar, transcrevemos abaixo uma passagem do livro “Êxodo”, em que tal fato acontece:
E apareceu-lhe o anjo do Senhor em uma chama de fogo no meio duma sarça. Moisés olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia; pelo que disse: Agora me virarei para lá e verei esta maravilha, e porque a sarça não se queima.
E vendo o Senhor que ele se virara para ver, chamou-o do meio da sarça, e disse: Moisés, Moisés! Respondeu ele: Eis-me aqui.
Prosseguiu Deus: Não te chegues para cá (...) (Êxodo, 3: 2 a 5)
Notamos que no princípio o narrador bíblico diz ser o “anjo do Senhor”, e depois o próprio Deus.
Essas confusões acontecem devido à falta de informação a respeito do tema. In-formação que só a Doutrina Espírita, com o seu estudo sistematizado, pode oferecer.
Moisés é um médium espetacular. Em muitos momentos ele vê, em outros ele ouve, e até fenômenos de efeitos físicos ele realiza com muita naturalidade.
É muito comum ouvir de irmãos nossos de outras religiões, a afirmação de que o Espiritismo encontra-se em erro diante de Deus, porque Moisés proibiu o exercício da mediunidade. Vejamos a citação bíblica a que eles se referem:
Quando entrares na terra que o Senhor teu Deus te dá, não aprenderás a fazer conforme as abominações daqueles povos.
Não se achará no meio de ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro, nem encantador, nem quem consulte um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz estas coisas é abominável ao Senhor, e é por causa destas abominações que o Senhor teu Deus os lança fora de diante de ti
Perfeito serás para com o Senhor teu Deus.
Porque estas nações, que hás de possuir, ouvem os prognosticadores e os adivinhadores; porém, quanto a ti, o Senhor teu Deus não te permitiu tal coisa. (Deuteronômio, 18: 9 a 14)
Em primeiro lugar, gostaríamos de dizer que se Moisés proibiu, é porque a mediunidade existe; ninguém proíbe algo que inexiste. Depois, podemos afirmar que o que Moisés proibiu o Espiritismo também condena, que é o mau uso desta faculdade.
Quanto à mediunidade em si, ele mesmo deu várias provas de que a aprovava. Vejamos a seguinte passagem do livro “Números”:
Mas no arraial ficaram dois homens; chamava-se um Eldade, e o outro Medade; e repousou sobre eles o espírito, porquanto estavam entre os inscritos, ainda que não saíram para irem à tenda; e profetizavam no arraial.
Correu, pois um moço, e o anunciou a Moisés, dizendo: Eldade e Medade profetizaram no arraial.
Então Josué, filho de Num, servidor de Moisés, um de seus mancebos escolhidos, respondeu e disse: Meu Senhor Moisés, proíbe-lho
Moisés, porém, disse-lhe: Tens tu ciúmes por mim? Oxalá que do povo do Senhor todos fossem profetas, que o Senhor pusesse o seu espírito sobre eles! (Números, 11: 26 a 29)
Desta forma, fica claro que Moisés não só não proíbe a mediunidade, como até dela faz uso.
Mas a mediunidade chega ao seu ápice com Jesus, porque o Mestre não foi um médium comum, mas o “Excelso Médium de Deus”. Por seu intermédio, toda a Lei Divina se fez visível, e o seu grau de sintonia com o Pai era tal, que Ele mesmo nos afirmou:
“Eu e o Pai somos um.” (João, 10: 30)
O Cristianismo, desde a Ressurreição até o Concílio de Nicéia, fez uso constante da Mediunidade. Através deste concílio realizado no ano 325 de nossa era, na cidade de Constantinopla, foi condenado o uso da mediunidade e outros pontos mantidos pelos primeiros cristãos, dando início à desagregação e à decomposição do Cristianismo em suas legítimas bases, que fora tão profundamente marcado pelo dia de Pentecostes.
Na Idade Média, época de obscurantismo, os médiuns são perseguidos e maltratados como feiticeiros. Temos como exemplo a excepcional Médium Joana D’Arc, que em todos os lugares era inspirada por seres invisíveis, escutava suas vozes, e por eles deixava-se dirigir, tornando-se assim a “Heróica Virgem de Domremy”.
Podemos citar ainda como expoentes significativos da mediunidade, Dante Alighieri, que sob influência espiritual escreveu “A Divina Comédia”, Goethe e sua obra mediúnica “O Fausto”, e mais tarde, os já conhecidos dos espíritas, Emmanuel Swedenborg, Andrew Jackson Davis, Eusápia Paladino, entre outros.
Este breve relato mostra assim que a mediunidade é imanente no próprio homem.
Talvez por isso, o Cristo, em toda a sua sabedoria, afirma ao apóstolo Pedro:
Bem aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelou, mas meu Pai, que está nos céus. Pois eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja (...) (Mateus, 16: 17 e 18)
Livro: Apostila do Curso de Espiritismo e Evangelho
Centro Espírita Amor e Caridade - Goiânia – GO - 1997
Site: www.autoresespiritasclassicos.com
Tipos de Mediunidade
Mediunidade de efeitos físicos e mediunidade de efeitos inteligentes.
Mediunidade de Efeitos Físicos
É aquela em que a ação dos Espíritos produz efeitos na matéria. Estes fenômenos sensibilizam diretamente os órgãos dos sentidos dos observadores. Por isto, esses fenômenos são também chamados de materiais ou objetivos.
Podemos classificá-los desta maneira:
Sonoros: Vão desde os simples “raps” (pancadas secas) até os estrondos, passando pelos fenômenos em que é produzida música, sem haver instrumentos no local.
Quando podemos formar com estes efeitos sonoros uma linguagem através de códigos, temos a tiptologia que, por sua vez, pode ser:
Interior: Pancadas produzidas no interior do objeto, sem movimento externo.
Bascular: Com movimento de objeto para dar as pancadas, por exemplo, mesa que bate com um dos pés.
Alfabética: Quando as pancadas produzidas mostram a letra desejada do alfabeto.
Sematologia: Quando as luzes, os sons ou o movimento dos objetos deixam transparecer uma vontade ou intenção ou um determinado sentimento.
Luminosos: Produção de centelhas, clarões e luzes.
Motores: Movimentação de corpos inertes, sem qualquer contato físico ou outro meio material. Nesta categoria de fenômenos, destacam-se:
- Levitação: Um ser ou objeto é suspenso no ar, aparentemente contrariando a lei da gravidade.
- Transporte: Quando um ser ou objeto é levado de um local para outro.
- Materialização: Formação (parcial ou total) de coisas ou corpos. Normalmente são temporárias.
- Transfiguração: É a modificação dos traços fisionômicos do médium ou do seu aspecto geral.
- Voz Direta: Produção de sons correspondentes à voz humana, articulada e audível por todos os presentes.
- Escrita Direta: Trata-se da produção de escrita sem o concurso de mãos humanas.
Mediunidade de Efeitos Inteligentes
Estes efeitos são também chamados intelectuais ou subjetivos, porque os fenômenos ocorrem na esfera subjetiva do médium. Desta forma, não ferindo os cinco sentidos do médium, não são todos que os percebem.
Podemos dividi-la em:
Intuitiva: Quando o médium percebe a realidade do plano espiritual ou pensamentos dos Espíritos, mas somente pela intuição.
Vidência: Permite aos médiuns ver os Espíritos. Uns gozam desta faculdade em estado normal, ou seja, de vigília, outros só a possuem em estado de sonambulismo.
Audiência: É a faculdade de ouvir a “voz” dos Espíritos.
Psicometria: Através deste tipo de mediunidade, o médium consegue, pela captação da energia impregnada nos objetos, informações históricas dos seres ligados a este objeto ou dos próprios objetos.
Psicofonia: O Espírito fala, usando o aparelho físico do médium. Este, por sua vez, transmite as comunicações de forma mais ou menos consciente, de acordo com a categoria de sua mediunidade. Queremos sempre lembrar que não há incorporação do Espírito, mas que esse age sobre a corrente nervosa do médium.
Psicografia: É a mediunidade que permite ao médium escrever sob a influência do Espírito. Através deste método, os Espíritos revelam melhor sua natureza e o grau de aperfeiçoamento, ou da sua inferioridade.
Podemos classificá-la desta forma:
Mecânica: O médium age em um certo grau de inconsciência, que é como se o Espírito dirigisse a sua mão, independente da sua vontade. No entanto, o médium permanece vigilante em Espírito durante a comunicação, podendo retomar o controle de suas faculdades no momento que lhe aprouver.
Semi-Mecânica: O médium sente que a sua mão é impulsionada pelo Espírito, mas tem consciência do que escreve, à medida que as palavras são formadas, e o controle é maior de sua parte.
Intuitiva: Como o próprio nome diz, é uma comunicação intuitiva. O Espírito não atua sobre a mão do médium, mas sobre a sua alma. Esta dirige a sua mão, que por sua vez dirige o lápis.Livro: Apostila do Curso de Espiritismo e Evangelho
Centro Espírita Amor e Caridade - Goiânia – GO - 1997
Site: www.autoresespiritasclassicos.com
domingo, 30 de janeiro de 2011
Mediunidade e Luta
Mediunidade é uma luz
Resplandecendo na treva,
Estrela em forma de cruz
Que sobre os ombros se leva.
No médium que não estuda,
Mediunidade parece
Semente em terra desnuda:
Germina, mas não floresce.
Há médium que faz no transe
Estranha forma de aborto,
Quando duvida de si
E expulsa o próprio do “morto”...
Médium que queira vencer
Os empecilhos da estrada,
Cumprindo o próprio dever,
Mantenha a boca fechada.
Médium que nunca sofreu
No testemunho da fé
Pode ser tudo, mas médium
Certamente ainda não é.
Médium que muito extrapola,
Gesticula e faz trejeito,
Quando vê, pisa na bola,
Cai no chão e não tem jeito.
Médium que apanha calado,
Apanha e não se acomoda,
Prossegue revigorado
Igual árvore na poda.
Mediunidade é sublime
Caminho de redenção,
Onde a vida se redime
Em busca da perfeição.
Pelo Espírito de: Eurícledes Formiga
Psicografia de: Carlos A. Baccelli
Livro: Ao Pé da Luz (páginas: 28 e 29) – Ano: 1994
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Tarefa Mediúnica Ostensiva
Apenas algumas rápidas palavras em torno da mediunidade, que, de fato, é um assunto inesgotável,
A tarefa mediúnica mais intensa, principalmente aquela de contato com o público, em verdade não é uma tarefa para todos os médiuns.
Semelhante atitude medianímica, de caráter público, é penosa, difícil mesmo para os médiuns não amadurecidos o suficiente; é uma tarefa que não depende tanto da mediunidade em si, mas depende da têmpera do médium, do espírito do medianeiro, mas do que, inclusive, dos espíritos que se dispõe a colaborar com ele. Por esse motivo não podemos, indiscriminadamente incentivar o exercício ostensivo da mediunidade nos médiuns ainda incipientes, nos medianeiros que apenas agora estão iniciando os seus primeiros passos na caminhada que é, deveras, longa.
Antes que o médium se dedique ou se decida por uma tarefa de muitos contatos públicos, é imprescindível que sopese as dificuldades que faceará, porque, de certa forma, esse companheiro não mais se pertencerá; sentir-se-á privado de aspirações pessoais, tendo, ainda, cerceado a sua liberdade no que se refere a tempo, que lhe digam respeito, tanto no campo profissional quanto no campo afetivo...
A tarefa mediúnica ostensiva, aquela que se expõe na cura, na pintura ou, ainda, na oratória, requesita do medianeiro um grau de renúncia e de sacrifício que, infelizmente, nem todos os companheiros, candidatos ao serviço da mediunidade com Jesus, estão em condições de oferecer.
Estas nossas considerações vêm a propósito de muitos irmãos médiuns que anseiam por atividades mais amplas na casa espírita. Louvamos em todos eles a boa vontade e a reta intenção em cooperar coma difusão do Espiritismo, que revive, na atualidade, o Evangelho de Jesus. Entretanto temos catalogadas centenas e centenas de medianeiros que se propõem em realizar semelhantes atividades e nelas não logram perseverar mais do que algumas reuniões ou alguns poucos meses. Logo, se retraem, constrangidos por um sem número de problemas e obstáculos.
É indispensável, portanto, que o medianeiro, antes de tentar alçar vôos mais longínquos, melhor fortaleza as próprias asas, porque não lhe convirá, de forma alguma, a leviandade, a deserção ao dever, a fulga ao compromisso, sem que esteja arcando com as conseqüências oriundas de suas decisões.
A tarefa mediúnica pode ser comparada a uma escada de infinitos degraus, em que, o médium, que decide escalá-la, precisa ascender, passo a passo, não olvidando que, para tanto, o concurso do tempo é indispensável.
Sintetizando, não bastam os espíritos e não basta a mediunidade; é imprescindível verificar-se a têmpera do médium que se candidata a tarefa mediúnica de natureza ostensiva, expondo-se, publicamente, aqueles que, no medianeiro, quase sempre procura o que o medianeiro por si só não se encontra em condições de oferecer.
Autores: Odilon Fernandes & Carlos A. Baccelli
Livro: Mediunidade, Corpo e Alma.
Site: Luz do Espiritismo – Grupo Espírita Allan Kardec
sábado, 25 de setembro de 2010
Somos Todos Médiuns
Quem é médium o é sempre, e não apenas no instante em que o fenômeno esta acontecendo, embora seja no exato momento do transe que a mediunidade alcança o seu ápice.
A mediunidade pode ser observada ostensivamente, quando, por exemplo, o médium incorpora, psicografa, transmite o passe, libera ectoplasma, pinta sob a influência dos espíritos... Entretanto, a mediunidade, no cotidiano, manifesta-se discretamente, ao ponto de o próprio médium não perceber que esteja agindo como instrumento.
Dificilmente o médium precisará com nitidez quando estará sendo intuído ou inspirado a dizer palavras ou tomar atitudes que mudem o rumo dos acontecimentos dos quais participe.
Citemos um fato corriqueiro como exemplo. Numa simples conversação, ,o médium poderá dizer uma palavra que clareie as decisões que o seu interlocutor tenha que tomar. Imaginemos um médico indeciso sobre o diagnóstico de um paciente... Em conversa com um médium, às vezes completamente alheio ao caso, os espíritos poderão inspirar o sensitivo no sentido de que a mente do médico se abra para o diagnóstico preciso, salvando vidas e evitando cirurgias de risco já programadas.
Quem procura sintonia com o Mais Alto através da oração e do dever retamente cumprido será sempre uma antena captando mensagens de elevado teor e retransmitindo-as através da palavra, imperceptivelmente.
A mediunidade ostensiva e declarada não é a única maneira de exercer-se a mediunidade.
A mãe é médium quando antecipa-se como seus conselhos aos problemas do filho; o pai é médium quando poupa recursos que pressentem necessários no futuro; o filho é médium quando protegem os pais de uma queda dentro de casa; o amigo é médium quando alerta alguém acerca da necessária revisão nos freios do automóvel, antes da viagem prevista; o vizinho é médium quando se refere a uma árvore prestes a desabar no quintal ao lado...
Há quem imagine que o seu compromisso com a mediunidade seja apenas naquele dia determinado e naqueles poucos minutos semanais em que passa ao redor de uma mesa de sessões.
Não terão sido médiuns Einstein, Thomas Édison, Pasteur, Gandhi, Florence Nigthingale e tantos outros gênios e benfeitores da humanidade?!
Não será médium o pastor anônimo e bem intencionado que prepara o seu sermão para a comunidade dos fiéis?!
Não será médium o legislador que se debruça sobre as leis dos homens, estudando um meio de adequá-las às Leis de Deus?!
Não será médium o cientista que no silêncio dos laboratórios pesquisa, por exemplo, a curda AIDS?!
Não será médium o professor que atina com o problema emocional que angustia um de seus alunos, interferindo negativamente no seu aproveitamento escolar?!
Não será médium o lavrador que pressente a hora de lançar a semente ao solo para a sonhada colheita?!...
De fato o homem é portador de livre-arbítrio e a decisão final em suas atitudes sempre lhe cabe, entretanto não deve ignorar que o Mundo Espiritual e o Mundo Físico se interpenetram e interreagem e que a comunidade dos espíritos desencarnados faz parte da comunidade dos encarnados, onde continua tendo interesses comuns aos homens.
Não exageraríamos se disséssemos que tudo é mediunidade, tanto na Terra quanto nos Céu!
O Pensamento Divino, até chegar ao homem, passa, por assim dizer, por dezenas de cérebros... Para que esse pensamento chegasse a nós sem distorções é que Jesus corporificou-se no planeta e trouxe-nos o Verbo Divino que identificava-se plenamente com a sua Palavra.
Anteriormente, os profetas, portadores da Palavra de Deus, sujeitaram-na à cultura social e religiosa a que pertenciam, regionalizando o que era universal.
Por isto, em essência, O Espiritismo identifica-se com tosas as religiões e filosofias que vão desde as ramificações do Cristianismo às que pregam a reencarnação, a lei do carma e a comunicação com os chamados mortos. Tendo sido codificada na França, a Doutrina Espírita é universal, porque a Verdade, em todos os idiomas, é sempre a mesma em toda parte.
Livro: Somos Todos Médiuns
Médiuns: Carlos A. Bacelli & Odilon Fernandes
Site: Luz do Espiritismo – Grupo Espírita Allan Kardec
domingo, 19 de setembro de 2010
Ser Médium
A mediunidade é registro paranormal que se encontra ínsito na criatura humana, à semelhança da inteligência, da razão.
Todo indivíduo que conscientemente ou não, capta a presença de seres espirituais é portador de mediunidade, cabendo-lhe a tarefa de desdobrar os recursos parafísicos, através de conveniente educação, graças à qual se tornará instrumento responsável para o ministério superior a que a mesma se destina.
Inicialmente confundida com várias patologias, sejam de ordem mental ou orgânica, a mediunidade fez-se meio para demonstrar o equívoco em que teimavam permanecer os seus adversários gratuitos ou os investigadores apressados.
Caracterizando uma função sempre presente no homem em todas as épocas, só a partir de Allan Kardec passou a receber estudo profundo e consideração, vindo, então, a ocupar o lugar que lhe é devido, como ponte para o intercâmbio entre os espíritos de ambos os lados da vida com aqueles que se encontram mergulhados na mesma faixa das percepções psíquicas no corpo físico.
Espontânea, surge em qualquer idade, posição social, denominação religiosa ou cepticismo no qual se encontre o indivíduo.
Normalmente chama a atenção pelos fenômenos insólitos de que se faz portadora, produzindo efeitos físicos e intelectuais, bem como manifestações na área visual, auditiva, apresentando-se com gama variada conforme as diversas expressões intelectuais, materiais e subjetivas que se exteriorizam no dia-a-dia de todos os seres humanos.]
Direcionando a observação para as ocorrências inabituais que lhe sucedam, o médium descobre um imenso veio aurífero que, penetrado, brinda-o com gemas de inapreciável qualidade.
Assim como o mergulhador educa a respiração para descer nas águas profundas onde espera encontrar ostras raras, portadoras de pérolas incomuns, o médium tem o dever de disciplinar a mente, a fim de aprofundar-se no oceano íntimo e dali arrancar as preciosidades que se encontram engastadas na concha bivalve das aspirações morais e espirituais.
Às vezes, quando do aparecimento da mediunidade, surgem distúrbios vários, sejam na área orgânica, através de desequilíbrios e doenças, ou mediante inquietações emocionais e psiquiátricas, por debilidade da sua constituição fisiopsicológica.
Não é a mediunidade que gera o distúrbio no organismo, mas a ação fluídica dos espíritos que favorece a distonia ou não, de acordo com a qualidade de que este se reveste.
Por outro lado, quando a ação espiritual é salutar, uma aura de paz e de bem-estar envolve o medianeiro, auxiliando-o na preservação das forças que o nutrem e sustentam durante a existência física.
A educação ou desdobramento mediúnico objetiva ampliar o campo de realização paranormal, porquanto, através dos recursos próprios, tem a especial finalidade de instruir os homens, realizar a iluminação de consciências, facultar o ministério da caridade, pelas possibilidades que proporciona aos desencarnados em aflição de terem lenidos os sofrimentos, as mágoas, a ignorância...
A faculdade de ser médium, própria dos seres inteligentes, constitui um superior instrumento de serviço ao alcance de todos, dependendo de cada um atender-lhe a presença orgânica ou ignorá-la, apurando-lhe a sensibilidade ou perturbando-lhe o mister, deixando-a ao abandono, aí correndo riscos de ser utilizada por entidades perversas ou levianas que se encarregarão de perturbá-la, entorpecê-la ou torná-la meio de desequilíbrio para o próprio médium como para aqueles que o cercam.
Não é, portanto, o ser médium ou não, mas a conduta que este se aplique que atrairá mentes que se irradiam no mesmo campo de vibrações especiais.
Swedendorg, ao perceber a presença da mediunidade, cientista e culto, não tergiversou em estudar a faculdade e dedicar-se ao seu exercício, brindando a humanidade com valioso patrimônio de sabedoria, esperança e paz.
Edgar Cayce, constatando a manifestação mediúnica de que se tornou objeto, aplicou-se ao labor pertinente e auxiliou dezenas de milhares de pacientes que lhe buscaram o socorro...
Adolf Hitler, depois de freqüentar o Grupo Thule, de fenômenos mediúnicos, dirigido por Dietrich Eckhart, em Berlim, ensandeceu-se, e, fascinado, acreditou-se a “mão da Providência”, tornando-se destruidor de milhões de vidas e responsável por males incontáveis, que ainda permanecem na Terra...
A mediunidade, em si mesma, não é boa nem é má, antes, apresenta-se em caráter de neutralidade, ensejando ao homem utilizá-la conforme lhe aprouver, desse uso derivando os resultados que acompanharão o medianeiro até o momento final da sua etapa evolutiva no corpo.
Pelo Espírito de: Vianna de Carvalho
Médium: Divaldo P. Franco
Livro: Médiuns e Mediunidades
Site: Luz do Espiritismo – Grupo Espírita Allan Kardec
domingo, 12 de setembro de 2010
Rivalidade entre os Médiuns

Remanescente dos instintos agressivos, a rivalidade é presença negativa no caráter humano, que a criatura deve superar.
Se a competição saudável é estimuladora para desenvolver os valores humanos, potenciais, momentaneamente adormecidos, a rivalidade decorre do primarismo animal, que atira as criaturas umas contra as outras.
O rival é antagonista apaixonado, a um passo da violência, na qual derrapa facilmente, facultando-se a explosão de danos graves para si mesmo, bem como para os outros.
Infelizmente, perturbando a sociedade, na luta pela predominância do egoísmo, a rivalidade entre os homens leva-os aos estados belicosos, quando a solidariedade os engrandeceria, propiciando bênçãos a toda a comunidade.
É natural que, também, entre os médiuns, o morbo das rivalidades injustificáveis irrompa, virulento, enfermando quantos lhe permitem o contágio.
Invigilantes, olvidam-se da terapia do amor e deixam-se infelicitar, asfixiados pela inveja, pela mágoa, pelo ciúme, contribuindo para as lutas inglórias que, lamentavelmente, se instalam nos grupos, nos quais estes se encontram a serviço.
No contubérnio que se estabelece, a rede da insensatez divide os membros do trabalho,
que passam a antagonizar-se, embora abraçando os ideais da liberdade, da tolerância, do amor, da criatividade.
Tais rivalidades têm sido responsáveis pelo malogro de empreendimentos significativos, elaborados com carinho através dos anos, e que se desgastam e se desorganizam com facilidade, tornando-se redutos de decepções e amarguras.
A rivalidade é um mal que aguarda solução, combate de urgência.
Surge de forma sutil; instala-se com suavidade, qual erva parasita em tronco generoso, e passa a roubar a energia de que se nutre, terminando por prejudicar o hospedeiro que lhe dá guarida.
O médium deve ser um servidor da Vida, a benefício de todas as vidas.
A sua há que tornar-se a luta pelo auto-aprimoramento, observando as mazelas e estudando as deficiências, a fim de mais crescer na escala dos valores morais, de modo a sintonizar com as entidades venerandas, nem sempre as que se tornaram famosas no mundo, mas que construíram as bases da felicidade pelo amanho do solo dos corações na execução do bem.
A ele cabe disputar a honra de servir e não a de aparecer; de ceder e nunca a de impor; de amar e jamais a de fruir, apagando-se, para que resplandeça a luz da verdade imortal de que se faz instrumento.
Como do homem de bem se esperam a preservação e vivência dos valores éticos, do instrumento mediúnico se aguarda o perfeito entrosamento emocional e existencial entre o de que se faz portador e o comportamento cotidiano.
O médium espírita é simples, sem afetação, desprovido do tormento de provar a sua honestidade aos outros, porque sabe que, no mundo, somente se experimentam aflições, conforme ensinou Jesus. Ademais, ele reconhece que está a serviço do bem, ao qual lhe cumpre atender com naturalidade e paz.
Médiuns rivais são antagonistas em justas infelizes, buscando vitória em nome das vaidades que corrompem o coração e envenenam a razão.
Se alguém se apresenta mais aquinhoado para o serviço mediúnico, mais endividado certamente o será, porquanto a mediunidade a serviço do bem é via de acesso e de redenção para o espírito, e não moldura brilhante para as fulgurações terrestres.
Ao invés de rivalidade competitiva, fomentemos a oração e o auxílio fraternal entre todos, a fim de que o êxito se apresente, não pelo aplauso humano, porém pela abnegação e largo trabalho de edificação do bem entre os homens.
Espírito: Vianna de Carvalho
Médium: Divaldo P. Franco
Livro: Médiuns e Mediunidades
sábado, 4 de setembro de 2010
Requisitos para o Médium Seguro

A fim de colimar êxito no empreendimento das comunicações espirituais inteligentes, deve o médium que se candidata ao ministério socorrista preencher, no mínimo, as seguintes condições:
Equilíbrio – Sem uma perfeita harmonia entre a mente e as emoções, dificilmente conseguem, os filtros psíquicos, coar a mensagem que provém do Mundo Maior.
Conduta – Não fundamentada a vida em uma conduta de austeridades morais, só mui raramente logra, o intermediário dos Espíritos, uma sintonia com os Mentores Elevados.
Concentração – Após aprender a técnica de isolar-se do mundo externo para ouvir interiormente, e sentir a mensagem que flui através das suas faculdades mediúnicas, poderá conseguir, o trabalhador honesto, registrá-la com fidelidade.
Oração – Não exercitando o cultivo da prece como clima de serenidade interior, ser-lhe-á difícil abandonar o círculo vicioso das comunicações vulgares, para ascender e alcançar uma perfeita identificação com os Instrutores da Vida Melhor.
Disposição – Não se afeiçoando à valorização do serviço em plena sintonia com o ideal espírita, compreensivelmente, torna-se improvável a colheita de resultados satisfatórios no intercâmbio medianímico.
Humildade – Escasseando o autoconhecimento, bem poucas possibilidades o médium disporá para uma completa assimilação do ditado espiritual, porquanto, nos temperamentos rebeldes e irascíveis a supremacia da vontade do próprio instrumento anula a interferência das mentes nobres desencarnadas.
Amor – Não estando o Espírito encarnado aclimatado à compreensão dos deveres fraternos em nome do amor que desculpa, do amor que ajuda, do amor que perdoa, do amor que edifica, torna-se, invariavelmente, medianeiro de Entidades perniciosas com as quais se compraz afinar.
O ministério do intercâmbio mediúnico é, sobretudo, um labor de auto-burilamento, no qual o encarnado mais se beneficia.
Quem não pretende domar-se, não consegue ajudar os que se debatem na indocilidade, sob as vergastadas da frustração e do equilíbrio.
Aquele que se recusa ascender por esta ou aquela razão, na teimosia das paixões em que se demora, sincroniza mentalmente com os Espíritos rebelados que o martirizam, e cuja companhia se lhe torna habitual.
Mediunidade é faculdade psíquica que se pode considerar meio, instrumento, ponte que faculta o intercâmbio entre duas situações vibratórias.
Aquele que não prepara este meio convenientemente, jamais logra sair de si mesmo, tão vencido se encontra pela predominância da personalidade em desalinho.
Ofertemos as nossas disposições a Jesus Cristo, o Amigo Operante, que soube transformar-se no excelente Médium de Deus, deixando que a suprema vontade do Pai se lhe fizesse a própria vontade, até o momento do holocausto por amor a todos nós.
Se não formos capazes de manter o nosso concurso mediúnico em forma de testemunho de amor pelo nosso próximo, na esfera física, não teremos condição de abrir a alma em flor ao sol da misericórdia divina, em benefício dos nossos irmãos infelizes do Mundo Espiritual, que esperam por nós.
Pelo Espírito de: João Cléofas
Psicografado por: Divaldo Pereira Franco
Livro: Intercâmbio Mediúnico - Salvador, BA: LEAL, 1986, cap. 12
Site: Luz do Espiritismo - Grupo Espírita Allan kardec
domingo, 25 de julho de 2010
Obstáculos Iniciais

Ninguém vive sem enfrentar desafios.
A pessoa que nos pareça mais bem aquinhoada tem a sua cota de provação, pois, se assim não fosse, qual seria o seu estímulo para crescer?!
A função da dor, em essência, é a de incomodar os espíritos, concitando-os a avançar na senda do progresso.
A mediunidade, como instrumento de evolução do ser, também não foge à regra. Ela é, por assim dizer, um vastíssimo campo de lições, onde o espírito amadurece na sua lida.
Quando a mediunidade se manifesta em alguém, o Mundo Espiritual começa a descortina-se para ele. Apesar de todo conhecimento teórico que posa ter, a prática lhe conferirá uma experiência intransferível.
Relacionando-se com espíritos de diferentes categorias, o médium perceberá por si mesmo a abrangência da vida no Mundo Espiritual.
A pouco e pouco, o medianeiro principiante compreenderá que lidar com os espíritos não é muito diferente de lidar com os homens, pois nas regiões superposta do Invisível pululam espíritos de diversas condições evolutivas, qual acontece com os encarnados, nas várias camadas sociais a que pertencem.
Um jovem inexperiente que se inicia nos negócios do mundo facilmente será ludibriado pelos espertalhões inconseqüentes. A tendência natural do homem é confiar, até que o germe da desconfiança lhe seja plantado na alma.
Somente depois de algumas decepções é que este jovem aprende que carece defender-se das armadilhas da maledicência e, melancolicamente, acaba por constatar que entre os homens ainda prevalece a lei da selva.
Feliz daquele que experimenta a ação do mal e não endurece o seu coração!
Em sua oração pelos discípulos, Jesus roga a Deus: “Não peço que os tire do mundo, mas que os livres do mal”. (João, cap. 17, v. 15).
Segundo Kardec, um médium iniciante deve considerar-se feliz por manter o intercâmbio com espíritos considerados inferiores, e não com os levianos. E isto, porque os espíritos de pequena evolução podem igualmente ensinar-lhe muito, porque sempre são sinceros em suas palavras, ao passo que os levianos são calculistas e enganadores.
Lembremos que a Codificação não foi compilada somente com os depoimentos dos Espíritos Superiores; eles próprios encaminhavam à Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas os espíritos sofredores que narravam suas valiosas experiências de além-túmulo.
Que os médiuns se acautelem, portanto, mas não desanimem porque estejam obtendo comunicados de espíritos inferiores em seus exercícios iniciais. Se meditados – repetimos -, esses comunicados muito elucidarão acerca das diversas situações dos espíritos no Mundo Espiritual, mostrando uma realidade que só se conhecia através da teoria.
Um especialista em Sociologia não tem a experiência de quem vive socialmente marginalizado.
O sofrimento é uma experiência individual, porque não há duas pessoas que sofram exatamente da mesma forma a ação da mesma dor.
Diante do exposto, convenhamos que o maior escolho do médium no exercício da mediunidade será o da sua própria imperfeição moral, porque, se ele tiver determinação em prosseguir, todos os obstáculos lhe serão causa de enriquecimento e motivação na tarefa.
Mas porque nos referimos aos obstáculos iniciais, não imaginem os médiuns que algum dia se verão livres dos empecilhos naturais da marcha. Superando um obstáculo, eis que logo adiante outro se lhes apresentará.
Devem os medianeiros, principiantes ou experientes, considera-se felizes quando os obstáculos enfrentados por ele sejam de ordem exterior, quais a intolerância deste ou daquele companheiro, a crítica de um familiar, a implacável perseguição de um obsessor, a falta de apoio do grupo a que pertençam... Esses obstáculos exteriores, embora desagradáveis, são facilmente arredados, quando se persevera em silêncio no cumprimento do dever.
O difícil é quando o médium apresenta-se, ele mesmo, como o maior obstáculo, ao deslanchar de sua mediunidade; difícil e triste, porque, então, os Espíritos Amigos haverão de sentir-se frustrados e lamentarão que, não raro, tão precioso talento esteja em mãos de quem não saiba valorizá-lo.
Psicografado pelo Médium: Carlos A. Baccelli
Livro: Somos Todos Médiuns
Site: Luz do Espiritismo - Grupo Espírita Allan Kardec
