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quinta-feira, 26 de março de 2020

Seca as tuas lágrimas e se me amas, não chores mais… A morte não é nada, eu apenas passei para o outro lado!

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A morte não é nada.
Eu apenas passei para o outro lado:
É como se estivesse escondido no quarto ao lado.
Eu sou sempre eu, e tu és sempre tu.
O que éramos antes um para o outro ainda somos.
Liga-me com o nome que você sempre me deu, que te é familiar;
Fala-me da mesma forma carinhosa que tens usado sempre.
Não mude teu tom de voz, não assuma um ar solene ou triste.
Continua a rir daquilo que nos fazia rir,
Daquelas pequenas coisas que tanto gostávamos, quando estávamos juntos.
Reza, sorri, pensa em mim!

Porque os Espíritas não temem a Morte!

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A doutrina espírita transforma completamente a perspectiva do futuro. A vida
futura deixa de ser uma hipótese para ser realidade.
O estado das almas depois da morte não é mais um sistema, porem um
resultado de observação. Ergueu-se o véu; o mundo espiritual aparece-nos na
plenitude da sua realidade prática; não foram os homens que a descobriram
pelo esforço de uma concepção engenhosa, são os próprios habitantes desse
mundo que nos vem descrever a sua situação; aí os vemos de todos os graus
da escala da vida espiritual, em todas as fases da felicidade ou da desgraça,
assistindo enfim, a todas as peripécias da vida de além tumulo. Eis aí porque
os espíritas encaram a morte calmamente e se revestem de serenidade nos
seus últimos momentos sobre a terra.Já não é só a esperança, mas a certeza que o conforta; 
sabem que a vida
futura é a continuação da vida terrena em melhores condições e aguardam-na
com a mesma confiança que aguardariam o despontar do sol após uma noite
de tempestade. Os motivos desta confiança decorrem, outrossim, dos fatos
testemunhados e da concordância desses fatos com a lógica, com a justiça e
palavra de Deus, correspondendo às íntimas aspirações da humanidade.
Para os espíritas, a alma não é uma abstração; ela tem um corpo etéreo que a
define ao pensamento, o que muito é para fixar as idéias sobre a sua
individualidade, aptidões e percepções.

sábado, 29 de setembro de 2018

Visão Retrospectiva, no momento da morte

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Este é um dos fenômenos mais singulares que ocorrem em todos os casos de morte natural e, até mesmo, em algumas mortes subitâneas, por acidentes diversos.
A pessoa, nos instantes finais de sua existência, vê passar diante de si, como numa tela de cinema ou num monitor de vídeo, toda a Vida que está prestes a deixar. Os primeiros meses do renascimento, a pré-infância, a infância, a puberdade, a adolescência, a juventude e a fase adulta, tudo, tudo que foi experimentado em cada um desses estágios do desenvolvimento bio-psicológico do ser humano, vem à tona com uma riqueza de pormenores, absolutamente, incomum.
Deve-se este fenômeno ao registro minucioso feito pelo corpo perispiritual de todos os acontecimentos vividos pelo ser humano em cada uma de suas existências. Nada deixa de ser fixado pelo envoltório sutil da alma, e é, graças a essa transcrição minuciosa, que podemos, aqui mesmo, em nosso mundo e, mais tarde, na Vida Espiritual, lembrar-nos de todas as nossas existências pregressas.
Essa visão retrospectiva possibilita ao ser uma contemplação crítica e analítica de todas as ações por ele praticadas, durante a última existência, num prévio julgamento consciencial, com vistas à situação que ele merece na Pátria Espiritual.

sábado, 28 de outubro de 2017

Partida e Chegada (A Dor da Saudade e a Certeza do Reencontro)

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Quando observamos, da praia, um veleiro a afastar-se da costa, navegando mar adentro, impelido pela brisa matinal, estamos diante de um espetáculo de beleza rara.
O barco, impulsionado pela força dos ventos, vai ganhando o mar azul e nos parece cada vez menor.
Não demora muito e só podemos contemplar um pequeno ponto branco na linha remota e indecisa, onde o mar e o céu se encontram.
Quem observa o veleiro sumir na linha do horizonte, certamente exclamará: Já se foi. Terá sumido? Evaporado?
Não, certamente. Apenas o perdemos de vista.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

O Outro Lado da Vida

Um discípulo procurou seu mestre e perguntou:
– Mestre, como posso saber se existe mesmo vida após a morte?
O Mestre olhou para ele e respondeu:
– Encontre-me novamente após o sol se pôr.
O discípulo, meio contrariado, esperou algumas horas, ansioso pela resposta.
Logo que o sol se pôs, o discípulo voltou à presença do mestre. Assim que o discípulo apareceu, o mestre afirmou:
– Você percebeu o que houve? O sol morreu…
O discípulo ficou sem entender nada. Julgou que se tratava de uma brincadeira do mestre.
– Como assim mestre? Perguntou o discípulo. O sol não morreu, ele apenas se pôs no horizonte.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Desgosto da Vida - Suicídio

As causas mais comuns do suicídio, em todos os tempos, são:

  • o desgosto pela vida,
  • as depressões
  • e os insucessos amorosos ou financeiros.

As religiões sempre se pronunciaram contra esse ato, baseadas no fato de que somente Deus tem o direito de tirar qualquer vida, pois é Ele quem a dá.

sábado, 2 de agosto de 2014

Perda de Pessoas Amadas - Mortes Prematuras

Quando a morte ceifa nas vossas famílias, arrebatando, sem restrições, os maismoços antes dos velhos, costumais dizer: Deus não é justo, pois sacrifica um que está forte etem grande futuro e conserva os que já viveram longos anos cheios de decepções; pois leva osque são úteis e deixa os que para nada mais servem; pois despedaça o coração de uma mãe,privando-a da inocente criatura que era toda a sua alegria.

Humanos, é nesse ponto que precisais elevar-vos acima do terra-a-terra da vida, paracompreenderdes que o bem, muitas vezes, está onde julgais ver o mal, a sábia previdênciaonde pensais divisar a cega fatalidade do destino. Por que haveis de avaliar a justiça divinapela vossa? Podeis supor que o Senhor dos mundos se aplique, por mero capricho, a vosinfligir penas cruéis? Nada se faz sem um fim inteligente e, seja o que for que aconteça, tudotem a sua razão de ser. Se perscrutásseis melhor todas as dores que vos advêm, nelasencontraríeis sempre a razão divina, razão regeneradora, e os vossos miseráveis interesses setornariam de tão secundária consideração, que os atiraríeis para o último plano.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Morte ou Desencarnação?

A morte é um fenômeno natural, uma simples transição de um espaço dimensional para outro, porque, como disse Lavoisier, “nada se perde e tudo se transforma”. Para entender o fenômeno da morte será necessário saber que há um corpo que sobrevive ao fenômeno e tem recebido diferentes nomes: perispírito, psicossoma, corpo espiritual e outros.
O termo perispírito foi criado por Allan Kardec, que afirmou estar a alma envolvida por uma substância vaporosa aos nossos olhos, mas bastante grosseira nas dimensões espirituais. Quando o corpo físico morre, o perispírito se desprende e, com ele, a consciência que animava aquele corpo, por isso, nos meios espíritas, o termo utilizado para falar da morte é desencarnação, isto é, com a morte do corpo, o espírito sai da carne, mas não deixa de viver.
O corpo físico é o mais transitório, impermanente e ilusório elemento de todas as partes que compõem o ser, pois, a cada segundo, está mudando. O interessante em todas essas mudanças é que a identidade física não se modifica. Esse é o grande desafio que a ciência tenta compreender com profundidade.
Por ocasião da morte, o perispírito se desprende mais ou menos lentamente do corpo, e o espírito não encontra explicação para a situação em que se acha. Crê não estar morto, porque se sente vivo; vê a um lado o corpo, sabe que lhe pertence, mas não compreende que esteja separado dele, até porque o perispírito reproduz a aparência do corpo físico que morreu. Essa situação pode ter duração breve ou prolongada. Assim, quando o ser é libertado do corpo denso, tudo, a princípio, é confuso. Há necessidade de algum tempo para se localizar. A lucidez das ideias e a memória do passado lhe voltam, à medida que se apaga a influência da matéria que acaba de abandonar e que se dissipa a espécie de névoa que lhe obscurece os pensamentos.
Kardec explica que a perturbação que se segue à desencarnação nada tem de penosa para o homem de bem, que se conserva calmo, como alguém que acompanha as fases de um tranqüilo despertar. Para aquele cuja consciência ainda não está pura, contudo, a perturbação é cheia de ansiedade e de angústias que aumentam, à proporção que se compenetra da situação. Desencarnar é, pois, retirar-se do mundo conhecido da matéria e projetar-se num outro cujas leis não conhecemos bem, mesmo com as informações detalhadas que o Espiritismo nos tem oferecido.
Precisamos, pois, preparar-nos para viver esse momento, que chegará inexoravelmente. O estudo mais profundo do Espiritismo e um trabalho consistente de meditação podem levar-nos a compreender o que significa estar fora do espaço/tempo que caracteriza o mundo material, preparando-nos para a desencarnação.
Milhares de teorias têm induzido o homem a pensar na morte como uma separação definitiva da vida, mas, do que podemos deduzir dos estudos espíritas, todos nós somos vivos/mortos ou mortos/vivos, e é o pensamento que constrói a realidade de cada um. Se o amor é a força que move o Universo e nos faz filhos de Deus, que é amor em toda a parte, atendamos ao preceito evangélico de amar a Deus e ao próximo, para garantir que, ao nos desvestirmos da carne, estaremos revestidos da condição primordial garantidora da verdadeira paz.
Autor (a): Dalva Silva e Souza
Revista Cultura Espírita – ICEB (Instituto de Cultura Espírita do Brasil) – Ano IV – Edição nº 44 – Página: 11 - Rio de Janeiro – Novembro/2012.
Livros Pesquisados:
KARDEC, Allan – O Livro dos Espíritos – Tradução de Guillon Ribeiro – Edição nº 47 – FEB (Federação Espírita Brasileira) – Questão nº 93 – Rio de Janeiro – 1979.
KARDEC, Allan – O Céu e o Inferno ou a Justiça Divina Segundo o Espiritismo – Tradução de Guillon Ribeiro – Edição nº 25 – FEB (Federação Espírita Brasileira) – Capítulo nº I – Rio de Janeiro – 1978.
BRANDÃO, Leila; SOUZA, Dalva & GUIDA, Cylene – A Morte não é bem Assim – Editora CELD – Rio de Janeiro – 2009.

sábado, 1 de junho de 2013

Eutanásia

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É lícito perante Deus a eutanásia?

Eutanásia significa morte serena, sem sofrimento. Tem sido realizada mediante a aplicação de substâncias que, sem dor, abreviam a vida de doentes terminais, incuráveis.

A legislação penal brasileira a proíbe, considerando-a crime de homicídio. As religiões igualmente combatem a eutanásia, e o argumento forte é o de que, sendo Deus a fonte da vida, somente Ele pode tirá-la.

Os médicos em geral são contrários a essa prática, porquanto entendem que sua missão é a de salvar vidas, a todo custo, e não a de exterminá-las. Mas vez por outra se tem notícias de médicos que usaram desse expediente às escondidas, espontaneamente ou a pedido do doente ou de seus familiares. Acham esses profissionais que estão praticando ato meritório, já que, não havendo mesmo salvação, a morte acaba com o sofrimento desnecessário do doente e até de seus parentes, que muitas vezes não têm condições financeiras de mantê-lo vivo.

O Espiritismo não admite a eutanásia e apresenta os seus argumentos, que aqui tentaremos resumir.

Deus realmente é a fonte da vida. Por mais que a ciência humana progrida, não conseguirá que a vida se estabeleça sem as condições já pré-determinadas pela natureza, que é a manifestação do Criador. Em decorrência, sempre que abortamos o fluxo natural da vida, estamos infringindo as leis divinas, perturbando a harmonia universal, e com isso sofrendo as consequências do ato. Esse pensamento aplica-se não só à eutanásia, mas também ao aborto, ao homicídio e ao suicídio.

Enganam-se, os defensores da eutanásia, quanto à morte. Materialistas que são, não admitem nada além do que os seus olhos vêm e seus aparelhos detectam. Imaginam que matando o corpo acabam com o sofrimento do doente. No entanto, o sofrimento corporal muita vezes é menor do que o sofrimento moral que o doente experimenta. O corpo, conquanto importante, não passa de um instrumento para a nossa manifestação aqui na Terra. A morte desorganiza apenas os elementos orgânicos, mas a alma, que é imortal, permanece viva e individualizada, carregando consigo as mesmas mazelas e virtudes que a identificavam.

É preciso, pois, meditar mais sobre o sofrimento humano, deixando de entendê-lo como um castigo de Deus aos homens pecadores, mas como um remédio que devemos sorver para a cura da nossa alma, não obstante possa ser ele amargo. Deus é Amor e Justiça perfeitos, de modo que só permite que aconteça aos homens – seus filhos – o que é necessário ao seu crescimento moral e intelectual.

Para a trajetória espiritual da alma, todo instante que ela consiga passar aqui na Terra é importante. Quando preso ao leito, com males incuráveis e dores insuportáveis, a alma tem a oportunidade de repensar a sua vida, seus atos; avaliar o que fez de certo ou errado; meditar sobre a nossa pequenez e fragilidade; adquirir paciência, resignação e humildade. E mesmo quando em estado comatoso, a inconsciência não atinge a alma, que pode igualmente aprender com a dura experiência.

Pelas leis de solidariedade e fraternidade, podemos e devemos usar de todos os recursos ao nosso alcance para minorar a dor e a angústia do doente, mas encurtar o seu tempo de vida, em verdade, é para ele um prejuízo. Diante disso, entreguemos a Deus o momento de nos chamar de volta à Espiritualidade, porque Ele, melhor do que ninguém, sabe das nossas necessidades.

Autor: Donizete Pinheiro

Livro: Respostas Espíritas – Edições Sonia Maria – 1ª Edição – Capítulo: 48 - São Paulo – 1997

Mortes Coletivas

Como o Espiritismo explica as mortes coletivas, em acidentes, epidemias ou em grandes catástrofes?

Quanto mais nos aprofundarmos no estudo das leis divinas, mais vamos entendendo a perfeição de Deus. Nada acontece sem que o Supremo Criador permita e sem que tenha uma utilidade ao nosso aprendizado, ainda que isso aparentemente seja um mal.

A morte tem um significado especial para a nossa alma, uma vez que é por ela que deixamos a vida na Terra e retornamos à Espiritualidade, que é o nosso mundo de origem. As circunstâncias da morte igualmente são aproveitadas em nosso favor, principalmente quando ocorre de forma violenta ou acompanhada de sofrimento.

A dor sempre foi um instrumento de rápida evolução, porquanto demonstra o quanto somos frágeis e carentes de amparo dos semelhantes, despertando em nós a humildade, a gratidão e os sentimentos de fraternidade e solidariedade. É, pois, um sinal de nossa inferioridade.

A melhor maneira de compreendermos o engano de nossas condutas é sofremos na pele o mal que infringimos ao próximo. O ensinamento fica marcado mais profundamente e não tornaremos a repetir o erro. Por isso, enquanto ainda criaturas renitentes no mal, somos compelidos a experimentar a lição dos contrários, passando por situações similares àquelas que provocamos contra alguém, dessa forma aprendendo a agir sempre para o Bem.

Assim, nesta ou em outras vidas, o rico usurário e déspota se sujeitará à miséria e à humilhação, para que possa reconhecer a fragilidade dos bens materiais e dos poderes humanos, e passe a usar desses recursos com equilíbrio e em favor da coletividade; a pessoa ríspida e intratável amargará o abandono, assim descobrindo a necessidade de respeito e amabilidade para com o próximo; aquele que maltratou o próprio corpo ou de outrem, será debilitado ou deformado, para que valorize a vida e a saúde como dádivas para o nosso aperfeiçoamento.

O mesmo se dá no capítulo das mortes coletivas. Por um mecanismo da Lei de Justiça, cuja intimidade ainda não se compreende perfeitamente, determinadas pessoas necessitadas de passar por igual experiência dolorosa reúnem-se num mesmo local, no mesmo horário, e, então, juntas, envolvem-se em triste acontecimento, perdendo a vida ou somente ficando feridas ou mutiladas.

Sofrem ali, certamente, as consequências dos delitos que perpetraram contra a vida ou saúde do próximo em outras encarnações, num mesmo episódio ou em vários. No início do século, no Rio de Janeiro, em circo pegou fogo e diversas pessoas morreram queimadas. Posteriormente, a Espiritualidade informou que as vítimas do incêndio viveram no passado em Roma e tinham participado da perseguição aos primeiros cristãos, levando muitos à fogueira.

Interessante observar como certas pessoas são afastadas dos locais dos acidentes, por um ou outro motivo banal, como aquela que fica presa no trânsito e perde o avião, que vem a sofrer uma queda. Nessas hipóteses, via de regra, o anjo da guarda da pessoa interferiu provocando o incidente salvador. Quase sempre, quem se livra da morte acaba valorizando mais a vida.

De qualquer maneira, tanto faz morrermos sozinho ou acompanhados. O importante é nos prepararmos para uma “boa morte”, que significa chegarmos do outro lado com a consciência tranqüila, com a mala cheia de boas obras e com muitos amigos.

Autor: Donizete Pinheiro

Livro: Respostas Espíritas – Edições Sonia Maria – 1ª Edição – Capítulo: 46 - São Paulo – 1997

sábado, 6 de abril de 2013

Mortos


Dizem que os Espíritas conversam com os Mortos.  Isso é possível?

Sim, mas não só os espíritas.  Conversar com as criaturas que retornaram à espiritualidade não é “fértil imaginação” do Espiritismo, mas realidade possível a qualquer pessoa e que existe desde a antiguidade, tanto que já na Bíblia encontramos a determinação de Moisés para que seu povo não evocasse os mortos, o que evidencia que isso era uma prática naquela época.  E, conforme narra o Evangelho, no episódio da transfiguração, Jesus conversou no alto do monte com Elias e com o próprio Moisés.

Se os mortos continuam vivos, apenas transferidos para outro lugar, não existe teoricamente nenhum impedimento para que eles se comuniquem com os que aqui ficaram.

Contudo, a análise dos fatos, com racionalidade e bom senso, sem as amarras do orgulho e do preconceito, não deixam qualquer dúvida de que a comunicação entre vivos e mortos tem ocorrido costumeiramente, nas mais variadas partes do planeta.  A repetição dos fenômenos, aqui e acolá, no decurso dos tempos e nas diversas civilizações, aponta para a veracidade.

É comum sonharmos com parentes falecidos, e na maioria das vezes esse sonho é a lembrança dos contatos que com eles mantivemos durante o repouso.  Alguns são tão reais e ficam gravados em nossa mente com tanta profundidade que chegam mesmo a mudar a nossa vida.

A mediunidade é um meio mais do que comprovado do contato com os que estão no além.  Por Chico Xavier e uma infinidade de outros médiuns, desencarnados têm consolado seus parentes e amigos que aqui ficaram, sendo suas mensagens submetidas ao confronto da realidade, com seus conteúdos confirmados, inclusive por exames grafotécnicos.

De outro lado, médiuns psicofônicos (ou de incorporação), respeitados pela honradez, são instrumentos que possibilitam a conversa dos chamados vivos com os espíritos, orientando-os ou sendo por eles orientados, conforme a condição evolutiva de cada um.

Nas reuniões mediúnicas, organizadas nas bases propostas por Allan Kardec, dialogamos com os espíritos como se o fizéssemos com qualquer outra pessoa normal, sem a utilização de ritos ou palavras cabalísticas, porquanto, embora invisíveis aos olhos materiais e vivendo em outra dimensão, os espíritos continuam sendo as mesmas pessoas de antes.

Graças a Deus que é assim, porque a comunicação com os mortos é benção que renova as nossas esperanças, demonstrando que não estaremos para sempre longe daqueles que amamos.

Autor:  Donizete Pinheiro
Livro:  Respostas Espíritas – Edições Sonia Maria – 1ª Edição – Capítulo:  04  – São Paulo – 1997

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Preparação do Espírito para o Desencarne



Os Espíritos têm afirmado a todo instante que a maior dificuldade encontrada pelo desencarnante no outro plano da vida, e a maior dificuldade encontrada pelos guias encarregados de auxiliar neste processo, é a falta de preparo do recém liberto.

E é fácil de entender o porquê. Imagine se qualquer um de nós fôssemos travar conversação com um elemento que desconhecesse o nosso idioma, e nós desconhecêssemos o dele.. Já pensaram que dificuldade? E olha que, quanto ao desencarne, a situação é bem mais complexa.

Voltando às comparações, notamos que é comum a qualquer um de nós, quando da realização de uma viagem a um país estranho, realizarmos determinada programação. Que língua é falada neste país? Como vou fazer para me comunicar com seus habitantes? Qual a temperatura que está por lá? Será que a minha vestimenta está adequada? Qual a moeda que tem valor nesta região? Como realizar o câmbio?

Estas e outras questões são levantadas por nós, antes de empreendermos viagem.

E quanto ao desencarne, viagem que todos nós sabemos que mais cedo ou mais tarde vamos realizar, temos nos preparado adequadamente? Como fazer?

O Espírito Irmão X, no livro “Cartas e Crônicas”, traz valiosas anotações a respeito deste tema. Por isto, achamos melhor transcrever sua narrativa.

Segundo ele, devemos modificar em primeiro lugar, nossos antigos maus hábitos.

Comece a renovação de seus costumes pelo prato de cada dia. Diminua gradativamente a volúpia de comer a carne dos animais. O cemitério na barriga é um tormento, depois da grande transição. O lombo de porco ou bife de vitela, temperados com sal e pimenta, não nos situam muito longe dos nossos antepassados, os tamoios e os caiapós, que se devoravam uns aos outros.

Os excitantes largamente ingeridos constituem outra perigosa obsessão. Tenho visto muitas almas de origem aparentemente primorosa, dispostas a trocar o próprio Céu pelo uísque aristocrático ou pela nossa cachaça brasileira.

Tanto quanto lhe seja possível, evite os abusos do fumo. Infunde pena a angústia dos desencarnados amantes da nicotina.

Não se renda à tentação dos narcóticos. Por mais aflitivas lhe pareçam as crises do estágio no corpo, agüente firme os golpes da luta. As vítimas da cocaína, da morfina e dos barbitúricos demoram-se largo tempo na cela escura da sede e da inércia.

E o sexo? Guarde muito cuidado na preservação do seu equilíbrio emotivo. Temos aqui muita gente boa carregando consigo inferno rotulado de “amor”.

Se você possui algum dinheiro ou detém alguma posse terrestre, não adie doações, caso esteja realmente inclinado a fazê-las. Grandes homens, que admirávamos no mundo pela habilidade e poder com que concretizavam importantes negócios, aparecem, junto de nós, em muitas ocasiões, à maneira de crianças desesperadas por não mais conseguirem manobrar os talões de cheque.

Em família, observe cautela com os testamentos. As doenças fulminatórias chegam de assalto, e, se a sua papelada não estiver em ordem, você padecerá muitas humilhações, através de tribunais e cartórios.

Sobretudo, não se apegue demasiado aos laços consangüíneos. Ame a sua esposa, seus filhos e seus parentes com moderação, na certeza de que, um dia, você estará ausente deles e de que, por isso mesmo, agirão quase sempre em desacordo com a sua vontade, embora lhe respeitem a memória. Não se esqueça de que, no estado presente da educação terrestre, se alguns afeiçoados lhe registrarem a presença extraterrena, depois dos funerais, na certa intimá-lo-ão a descer aos infernos, receando-lhe a volta inoportuna.

Se você já possui o tesouro de uma fé religiosa, viva de acordo com os preceitos que abraça. É horrível a responsabilidade moral de quem já conhece o caminho, sem equilibrar-se dentro dele.

Faça o bem que puder, sem a preocupação de satisfazer a todos. Convença-se de que se você não experimenta simpatia por determinadas criaturas, há muita gente que suporta você com muito esforço.

Por essa razão, em qualquer circunstância, conserve o seu nobre sorriso.

Trabalhe sempre, trabalhe sem cessar.

O serviço é o melhor dissolvente de nossas mágoas.

Ajude-se através do leal cumprimento de seus deveres.

Quanto ao mais, não se canse nem indague em excesso, porque, com mais tempo ou menos tempo, a morte lhe oferecerá o seu cartão de visita, impondo-lhe ao conhecimento tudo aquilo que, por agora, não lhe posso dizer.



Livro:  Apostila do Curso de Espiritismo e Evangelho
Centro Espírita Amor e Caridade - Goiânia – GO - 1997
Site:  www.autoresespiritasclassicos.com

Livro Pesquisado:
“Cartas e Crônicas”, cap. 4.

Processo Desencarnatório



O desencarne sempre traz, com raríssimas exceções, alguma perturbação para o Espírito envolvido neste processo.

Os que pautaram sua conduta pelos princípios de renovação espiritual em bases evangélicas sofrem menos esta perturbação. Já nos que viveram uma vida materialista baseado no imediatismo mundano, mais forte é o desequilíbrio, visto que as impressões da vida corporal transferem-se para o plano da consciência desencarnada.

O fato a que denominamos morte, só se dá quando do rompimento do cordão fluídico que une a alma ao corpo, mas essa separação não acontece de uma forma brusca.

O fluido perispiritual só pouco a pouco se desprende de todos os órgãos, de sorte que a separação só é completa e absoluta quando não mais reste um átomo do perispírito ligado a uma molécula do corpo.

Quando estudava o processo desencarnatório de Dimas no livro Obreiros da Vida Eterna, André Luiz, em determinado ponto, faz a seguinte consideração:

Para os nossos amigos encarnados, Dimas morrera, inteiramente. Para nós outros, porém a operação era ainda incompleta. E continua: O assistente deliberou que o cordão fluídico deveria permanecer até ao dia imediato, considerando as necessidades do “morto”, ainda imperfeitamente preparado para o desenlace mais rápido.

Aprendemos, desta forma, que o desencarne não termina no instante em que o ser é dado como morto pela ciência médica, mas que ele só se completa algumas horas depois com o desligamento do cordão fluídico.

Podemos afirmar que não existem dois processos de desencarne rigorosamente iguais, visto que não existem dois Espíritos em total identidade. A sensação de maior ou menor sofrimento enfrentada pelo Espírito, está na razão direta da soma de pontos de contato existentes entre o corpo e o perispírito, nos afirma Kardec82, e esta é a mesma razão da maior ou menor dificuldade que apresenta o rompimento do cordão de prata.

Assim, temos que o sofrimento gerado pela “morte” é tanto maior quanto maior for a aderência corpo-perispírito, que é sempre determinado pela maior ou menor importância dada pelo homem, enquanto encarnado, às questões materiais. A afinidade entre o corpo e o perispírito é proporcional ao apego à matéria.

Isto vem confirmar que o sofrimento das almas moralizadas, é quase nulo, porque nulo é o seu apego às questões materiais. Posto isto, afirmamos que só depende de nós mesmos o nosso sofrer ou não sofrer no instante da grande transição.

Outra questão a considerar, é o tipo de desencarne que sofre o Espírito.

Quando trata-se de morte natural, gerada pela cessação das forças vitais por velhice ou doença, o processo é menos agressivo, e o Espírito penetra a vida espiritual de forma mais tranqüila, se mais espiritualizada foi a sua vida, conforme já dissemos. Mas mesmo no homem mais materializado, apesar das dificuldades geradas pelo apego, a morte mais lenta, mais natural é menos sofrida.

Na morte violenta, as sensações se diferem ao extremo. O Espírito, diante do inesperado, fica como que perturbado, e não entendendo o que se passa, acha que está ainda no mundo dos encarnados, e muitas vezes julga que o seu corpo fluídico é o mesmo corpo material, tendo as mesmas sensações.

É claro que aqui também difere em infinitas modalidades o que sente o Espírito, devido aos seus conhecimentos a respeito da vida espiritual e os progressos feitos em sua existência material. Para quem vivenciou mais na vida os valores do Espírito, a perturbação passa mais rapidamente, aos outros é mais lenta, podendo durar dias, meses, anos ou até séculos.

No caso do suicida então, mais penosa ainda é a transição. Os Espíritos chegam a afirmar que o sofrimento excede a qualquer expectativa. Como se já não bastasse a grave transgressão às Leis Divinas, o corpo está totalmente ligado ao perispírito, e a quantidade de fluido vital é ainda grande. Isto muitas vezes faz com que o Espírito assista, totalmente consciente, todo o processo desencarnatório, sentindo a decomposição de seu organismo molécula a molécula, e a maior surpresa que o espera é a grande decepção de ainda estar vivo.

Resumindo, temos então que o sofrimento do Espírito, na ocasião do desencarne, é sempre maior quanto mais lento for o desprendimento do perispírito. E essa lentidão é sempre maior quanto menor for a evolução moral do indivíduo.

Até então, analisamos o processo desencarnatório, vendo só a influência do Espírito do próprio desencarnante, mas a influência de familiares e amigos também é fator determinante no processo de desligamento do Espírito.

André Luiz, em livro psicografado por Chico Xavier, estuda a desencarnação de Fernando, e em determinado momento, nota que o estado aflitivo dos familiares prejudicam o ato desencarnatório. Veja como é narrado o fato:

A aflição dos familiares encarnados, aqui presentes (dizia Aniceto), poderá dificultar-nos a ação. Observem como todos eles emitem recursos magnéticos em benefício do moribundo.

De fato, uma rede de fios cinzentos e fracamente iluminados parecia ligar os parentes ao enfermo quase morto.

-Tais socorros – tornou Aniceto – são agora inúteis para devolver-lhe o equilíbrio orgânico. Precisamos neutralizar essas forças, emitidas pela inquietação, proporcionando, antes de tudo, a possível serenidade à família.

E, aproximando-se ainda mais do agonizante, tomou a atitude do magnetizador, exclamando:

-Modifiquemos o quadro do coma.

Após alguns minutos em que nosso mentor operava, secundado pelo nosso respeitoso silêncio, ouvimos o médico encarnado anunciar aos parentes do moribundo:

-Melhoram os prognósticos. A pulsação, inexplicavelmente, está quase normal. A respiração tende a acalmar-se.

Três senhoras suspiraram aliviadas. (…)

As senhoras e mais dois cavalheiros, que se prontificavam a retirar agradeceram satisfeitos e comovidos. Permaneceram no aposento somente o médico e um irmão do agonizante. A melhora súbita tranqüilizara a todos. E, aos poucos, os fios cinzentos que se ligavam ao enfermo desapareceram sem deixar vestígios. (…)

Aproveitou Aniceto a serenidade ambiente e começou retirar o corpo espiritual de Fernando, desligando-o dos despojos, reparando eu que iniciara a operação pelos calcanhares, terminando na cabeça, à qual, por fim, parecia estar preso o moribundo por extenso cordão, tal como se dá com os nascituros terrenos. Aniceto cortou-o com esforço. O corpo de Fernando deu um estremeção, chamando o médico humano ao novo quadro. A operação não fora curta e fácil. Demora-se longos minutos, durante os quais vi o nosso instrutor empregar todo o cabedal de sua atenção e talvez de suas energias magnéticas.

Como já dissemos, não existe processo desencarnatório igual. A nossa intenção com este estudo é dar uma idéia geral do assunto. Aconselhamos aos interessados em aprofundar os conhecimentos sobre este tema o livro O Céu o e Inferno de Allan Kardec, e Obreiros da Vida Eterna do Espírito André Luiz, psicografado por Chico Xavier.


Livro:  Apostila do Curso de Espiritismo e Evangelho
Centro Espírita Amor e Caridade - Goiânia – GO - 1997
Site:  www.autoresespiritasclassicos.com

Livros Pesquisados:

“O Céu e o Inferno”, II parte, cap. I
“Obreiros da Vida Eterna”, cap. XIII
“O Céu e o Inferno”, II parte, cap. I
“Os Mensageiros”, cap. 50.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Desencarnação e Consciência


O diálogo terapêutico com os nossos irmãos despojados do corpo físico é de suma importância para que eles se conscientizem de sua situação, dentro da nova realidade existência em que se situam. Muitos deles, quando deixam o corpo físico, aportam às regiões no Mundo Espiritual como se estivesse tateando às cegas, desprovidos de luz pessoal e sem referências para os próprios passos. Não se prepararam, evidentemente, para enfrentar a verdade e não supunham que essa mesma verdade fosse tão clara e tão contundente. Quando se conhecem fora da realidade física, se surpreendem se debatem, se sentem sem rumo, querem retroceder voltar atrás, refazer conceitos, consertar o caminho, no entanto nada disto mais é possível, porquanto foram guindados a outra dimensão de onde um dia partiram, em direção a Terra, imbuídos dos melhores propósitos e das melhores esperanças.

A oportunidade de uma reunião como esta, com os nossos irmãos libertos do seu veículo físico de manifestação, dá-lhes a oportunidade retrocederem no tempo e de novamente se sentirem como se estivessem reintegrados na sua antiga condição... Podem falar, podem se sentir, podem se recriminar exteriorizar o arrependimento, ouvir vozes humanas semelhantes às suas próprias vozes, agora articuladas diferentemente...

Assim se sentindo no aconchego de uma reunião mediúnica, sob as bênçãos do Evangelho de Jesus, redivivo na Doutrina Espírita, se sentem eles encorajados a continuarem adiante, dispostos a refazer o próprio caminho e, mais tarde, candidatarem-se a um novo berço no mundo, retomando a experiência. Deus não desampara ninguém!

E a transformação? Toda transformação é lenta e gradual; não existe violência e a Verdade não se impõe a quem quer que seja. Por este motivo, uma reunião mediúnica de desobsessão coopera com os nossos irmãos na transição em que se vêem levados pela perda do corpo de carne. Em contato novamente com o mundo, através do diálogo, do esclarecimento e da oração, despertam do torpor em que muitos se encontram, da sonolência ou mesmo da amnésia de que muitos são acometidos, quando deixam o corpo, sem maior consciência do fenômeno da desencarnação.

São muitos os que não querem aceitar os que se acreditam vítimas de uma ilusão, de um pesadelo... Quantos não são os que sofrem indefinidamente, não aceitando o concurso dos Benfeitores anônimos da Espiritualidade que lhes estendem as mãos!

Procuremos perseverar na tarefa mediúnica de enfermagem espiritual, já que socorrendo é que somos socorridos, e os nossos irmãos, estendendo auxílio e conforto aos nossos companheiros desencarnados em condição de infelicidade, estarão igualmente se preparando para o momento da Grande Travessia.

A mediunidade possibilita aos médiuns o reconhecimento, quase imediato, de sua própria situação decorrente da desencarnação, inevitável para todos.

Meditemos nisto e não esmoreçamos. Façamos todo o bem que estiver ao nosso alcance, confiantes e sem vacilar, porquanto aqueles que necessitam de apoio, de amparo, de esclarecimento, aqueles que necessitam de mão estendida não podem esperar indefinidamente por aqueles que oscilam entre a dúvida e a certeza.

Autores: Bacelli, Carlos A.; Fernandes, Odilon

Livro: Falando de mediunidade. Cap. 23. 2003

Site: Luz do Espiritismo - Grupo Espírita Allan Kardec

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

A Hora da Morte



De todas as certezas que pode ter o ser humano, a morte é sem dúvida uma delas.

Quem nasce já está fadado à morte. Mensageira estranha, por vezes, abraça antes os mais jovens e os mais sadios, deixando para trás idosos e doentes.

Contudo, sempre chega. Paradoxalmente, é um dos assuntos que quase todo mundo evita tocar.

É por isso mesmo que, quando chega, sempre surpreende.

Também por esse motivo, muitas lágrimas são derramadas sobre os túmulos.

Lágrimas que se casam a exclamações como:

"Ah, se eu soubesse que era o seu último dia! Se eu soubesse que ele iria morrer, não teria sido tão mau! Se eu soubesse que ele partiria tão cedo, teria abraçado mais, dito como o amava, sido melhor para ele."

Por tudo isso, é bom considerar que nossa existência é muito efêmera. Hoje estamos aqui, amanhã poderemos não nos encontrar mais deste lado da vida.

O ser amado que se despede para o trabalho diário, pode não retornar. A criança que corre pela rua, rumo à escola, pode não voltar para casa.

Como a irmã daquele menino de apenas 10 anos. Ele entrou em casa e chamou pela mãe. Ela estava no quarto, sentada, quieta.

"Sua irmã morreu esta manhã, Michael." - foi o que disse.

O conceito de morte não tinha um significado concreto para aquele garotinho.

Durante muito tempo ele perguntava à mãe:

"Ela vai voltar? Por que ela teve de morrer?"

E ficava em frente à casa, esperando que o ônibus escolar a trouxesse de volta.

Entrava no quarto dela e apanhava a sua pasta escolar. Tudo estava bem arrumado - os cadernos de um lado, os livros do outro, o estojo de lápis no meio.

A faixa preta de elástico que ela usava nos cabelos quando foi para o colégio naquela manhã.

Depois, devolvia tudo certinho no seu lugar. Perguntava-se, se a irmã ficaria zangada por ele ter mexido em suas coisas.

O que ele realmente jamais esqueceria foi o que aconteceu duas noites antes da irmã morrer.

Ele esperou o ônibus que a trazia da escola. Estava preocupada. Esquecera de um trabalho de arte que devia entregar no dia seguinte.

Ele a foi ajudar e juntos fizeram 12 borboletas coloridas, de antenas enroladas e asas triangulares.

No dia em que ela morreu, ele estranhamente despertou mais cedo.

Observou-a se aprontando para a escola.

Como o vão da escada no prédio era muito escuro, ele ficou segurando a porta aberta para que a luz do apartamento a ajudasse enxergar os degraus.

Uma das mãos dela segurava a pasta, a outra balançava, enquanto descia os degraus.

Estava de uniforme azul. Tinha só 14 anos. E suas últimas palavras para Michael foram:

"Até logo, irmão."

Passadas mais de 4 décadas, Michael ainda guarda a lembrança de sua irmã.

Quando vê uma borboleta, recorda de imediato daquele último trabalho que fizeram juntos.

E espera. Porque, um dia, ele também fará essa viagem para o grande além.

Nesse dia, finalmente, ele a verá outra vez.

* * *

Ame muito. Usufrua a companhia dos afetos.

Quando um deles se for, poderá acalentar seus dias com as doces lembranças dos afagos compartilhados.

E isso amenizará sua grande saudade.

Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita com base no artigo A despedida, de Michael Tan, da revista Seleções do Reader´s Digest, outubro/2005.

www.momento.com.br


“O Espiritismo é toda uma Ciência, toda uma Filosofia. Quem desejar conhece-lo seriamente deve pois, como primeira condição, submeter-se a um estudo sério e persuadir-se de que, mais do que qualquer outra ciência, não se pode aprendê-lo brincando.” – Allan Kardec


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Grupo de Estudos Allan Kardec


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sábado, 18 de julho de 2009

A Força do Passado


(...)

Vivemos na Terra muitas vezes.
A cada nova existência passamos por situações que se relacionam com nossas necessidades e com o que fizemos no passado.
Nesse aprendizado que se estende por milênios há uma verdade que jamais devemos esquecer:
Bens e males que nos afligem são conseqüência do bem ou do mal que praticamos.
Nem sempre ajustamos nossas contas com a justiça dos homens, mas a justiça de Deus nunca falha.
Ela funciona em nossa consciência.
É a justiça de Deus, dentro de nós, que nos torna felizes ou infelizes, sãos ou doentes, de conformidade com nossos atos passados e a maneira de viver no presente.
Um homem era muito rico, dono de muitas propriedades, bem casado, filhos maravilhosos, boa posição social.
Tendo tudo para ser feliz, sentia-se triste, deprimido. E tanto se atormentava que freqüentemente ficava doente.
Procurou médicos e psicólogos. Tentou a religião...
Nada adiantava. Não conseguia paz.
Procurou um grande médium, desses que conseguem enxergar o que está escondido dentro de nós.
E o médium lhe disse.
Meu filho, em sua última existência você fez muitas coisas erradas, prejudicou muitas pessoas, matou muita gente...
Hoje esses crimes pesam em sua alma. Por isso é que você não consegue ser feliz. Sua própria consciência lhe impõe os tormentos que não sabe explicar.
Ore muito, peça a Deus que o ajude. Procure praticar o bem, ajudar as pessoas...
Somente assim aliviará os seus débitos e se sentirá melhor.
Impressionado com a explicação lógica quanto à origem de seus padecimentos, ele resolveu cumprir a orientação recebida.
Só então encontrou um pouco de paz.
Cada benefício que prestava, cada pessoa que atendia, era como se pusesse um bálsamo em sua consciência torturada, aliviando suas angústias.
***
Se colhemos hoje o que semeamos ontem é importante que cultivemos uma vida honrada, virtuosa, digna, para que possamos desfrutar de um futuro melhor.
Neste particular, lembre-se, meu amigo, nenhum policial vai nos fiscalizar.
Seremos sempre fiscalizados por nossa própria consciência.

Livro: Fugindo da Prisão

Autor: Richard Simonetti

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domingo, 21 de junho de 2009

Para onde vamos quando morremos?


Quando nosso corpo físico morre no final do período de uma vida terrena, ou encarnação, nossa alma nasce para o mundo espiritual, sua morada original.

"A cada um será dado conforme suas obras", resume de forma brilhante o que ocorre após nossa morte.

Há uma distorção grande em relação à construção da imagem de um Deus que castiga e pune seus filhos pecadores. Isso porque o livre-arbítrio nos é de direito, é uma verdade incontestável, entretanto, a lei do retorno -ou karma- mostra, não só pelos olhos da espiritualidade, que toda ação gera consequências. Essa é uma lei universal que nós seres humanos precisamos compreender bem antes de colocar a culpa em Deus, ou ainda temer sua fúria...
Grande erro!

Deus nos criou por amor, e é por isso que quer que evoluamos. Castigo não existe! Existe consequência aos nossos atos. Sim, sempre há o retorno para qualquer atitude; no entanto, isso não é castigo... É uma reação aos nosso atos.
Se você joga um tijolo para cima, em menos de um segundo, ele cai. Se você estiver embaixo, provavelmente, ele irá bater com força em seu corpo podendo te machucar. Quanto mais força você coloca para arremessar o tijolo, maior será o impacto na queda. Lembre-se: o tijolo estava parado, foi você quem quis jogá-lo para cima. Aí, perguntamos: foi Deus quem castigou?
Não! Foram as leis do universo que se manifestaram. E qual a diferença em relação aos nossos atos?
Nenhuma, a não ser pelo fato que as coisas acontecem em um tempo um pouco diferente! Com isso, a máxima "A cada um será dado conforme suas obras" segue valendo.

Você pode até dizer que essa comparação não tem qualquer relação com nossas vidas, mas tem sim. O grande equívoco humano é não compreender as leis universais que regem a evolução de nossa espécie. Isso nos atrapalha muito, nos rouba tempo, nos aprisiona. Precisamos ir ao encontro dessas verdades que nos libertarão.

Existe céu e inferno?
Sim, mas são estados de consciência, criados por nós mesmos.
Quando desencarnamos, a nossa sintonia espiritual, resultante de nossos atos, padrão moral, caráter, ética, nos leva por atração magnética, para dimensões de mesma sintonia. Mais uma vez reiteramos: não existe castigo de Deus, existe consequência aos nossos atos!

Quer saber se vai para o inferno ou umbral quando você desencarnar no final dessa existência?
Não precisa chegar até esse dia para saber, pergunte-se agora, avalie-se:
- O que eu estou emitindo para o Universo? É amor, ódio, alienação e lixo psíquico?
- Como me sinto agora?
- Quais são as minhas atitudes, meu padrão moral e minha ética?
- Tenho amor dentro de mim e o expresso aos meus semelhantes e ao mundo à minha volta?
- Amo o meu próximo como a mim mesmo?
- Faço para o outro somente aquilo que quero que façam comigo?
É isso!

O tipo de morada que sua alma imortal irá encontrar após sua passagem no final dessa vida depende muito das respostas das perguntas acima...
Reflita.

****

É típico da sabedoria universal nos levar para a morada que melhor for adaptada ao nosso estado de consciência.
Por exemplo:
Se você não compreende o grave erro que é cometer suicídio, ou seja, abreviar a sua experiência terrena, sem que nenhum benefício seja conquistado com isso, é quase lógico que a pessoa será atraída para zonas do plano espiritual em que a dor e o sofrimento serão companheiros de caminhada. Não porque há um Deus que pune. Ao contrário, há uma sabedoria suprema que proporciona ao ignorante das verdades universais a ferramenta pedagógica precisa que o leve a um aprendizado necessário ao seu nível evolutivo. "Não dê pérolas aos porcos" resume muito bem essa questão. Aprenderemos pelo amor ou pela dor, só não temos como trancar a lei máxima de evolução constante, ou seja, temos que aprender, de um jeito ou de outro.
Nesse caso citado, a exposição de um suicida em condições tão adversas, dizima qualquer orgulho, vaidade, materialismo, arrogância, pela reflexão provocada com profundidade ("na base da força"), o que na vida terrena, lhe foi dada a chance de ter feito por espontânea vontade, pelo caminho da consciência e do amor. Todavia, como a opção pelo amor não surtiu efeito, a dor se faz necessária.

Por quanto tempo?
Até que as leis que regem os acontecimentos se façam...
Até que a vontade de Deus prevaleça...
Até que os níveis de consciência, mesmo que de forma modesta, sejam elevados...
Até que a luz clareie a escuridão...
Até que da lama nasça a Flor de Lótus...

E é assim...

O plano divino, com essa paciência e amor incondicional por todas as criaturas, promove condições para que vida após vida possamos seguir evoluindo.

Ir para o céu ou para o inferno depende exclusivamente de nós mesmos. A todo o momento podemos tomar decisões que nos sintonizem com essas duas frequências opostas. E, mais uma vez: "Orai e vigiai" torna-se uma das mais importantes ferramentas que temos.

Poderíamos aumentar o conteúdo desse texto trazendo exemplos mais claros das cidades astrais, tanto de luz ou de trevas, para onde somos literalmente tragados após nosso desencarne, sempre pela nossa sintonia energética... Contudo, o que importa na prática desse importante tema é o aprendizado. E para trazer para a prática, para realidade do dia-a-dia de sua vida, basta que você olhe para a realidade atual do Planeta. O que ocorre por aqui, de alguma forma é a extensão do que acontece nos planos mais sutis. São áreas de guerra e de paz. Não nos referimos apenas aos países em conflito e guerrilha. Pense também no caos urbano, no trânsito, na falta de respeito entre os semelhantes.

Não deixe para pensar na morte apenas quando a idade avançar. Pensar na morte com olhar da evolução espiritual não é pessimismo, é consciência!
Quantos de nós já estão no inferno, em suas depressões, egoísmos, materialismos, doenças e vícios das mais diferentes espécies.
Quantos de nós já vivem no céu em seus estados de paz, harmonia, paciência, bem querer e plenitude!
São tantos exemplos, olhe à sua volta...
O inferno é ilusão, dor, controle, apego, medo, egoísmo, negligência, fascínio, vaidade, futilidade.
O céu é o amor, a entrega espiritual, a paciência, a tolerância, o respeito, o perdão, a gratidão.

Onde você está hoje?
No céu ou inferno?
Para aonde você vai amanhã?
Depende de você!
Acredite, é possível estarmos no céu.
Acho que estamos no caminho...

Site: www.ig.com.br
Data: 21 de junho de 2009
Autor:
Bruno J. Gimenes - sintonia@luzdaserra.com.br

domingo, 3 de maio de 2009

Acorda e Ajuda


 
"Segue-me e deixa aos mortos o
cuidado de enterrar os mortos."
─ Jesus. (Mateus, 8, 22)
 

Jesus não recomendou ao aprendiz deixasse "aos cadáveres o cuidado de enterrar os cadáveres", e sim conferisse "aos mortos o cuidado de enterrar os seus mortos".

Há, em verdade, grande diferença.

O cadáver é carne sem vida, enquanto um morto é alguém que se ausenta da vida.

Há muita gente que perambula nas sombras da morte sem morrer.

Trânsfugas da evolução, cerram-se entre as paredes da própria mente, cristalizados no egoísmo ou na vaidade, negando-se a partilhar a experiência comum.

Mergulham-se em sepulcros de ouro, de vício de amargura e ilusão. Se vitimados pela tentação da riqueza, moram em túmulos de cifrões; se derrotados pelos hábitos perniciosos, encarceram-se em grades sombra; se prostrados pelo desalento, dormem no pranto da bancarrota moral, e, se atormentados pelas mentiras com que envolvem a si mesmos, residem sob as lápides, dificilmente permeáveis, dos enganos fatais.

Aprende a participar da luta coletiva.

Sai, cada dia, de ti mesmo, e busca sentir a dor do vizinho, a necessidade do próximo, as angústias de teu irmão e ajuda quanto possas.

Não te galvanizes na esfera do próprio "eu".

Desperta e vive com todos, por todos e para todos, porque ninguém respira tão somente para si.

Em qualquer parte do Universo, somos usufrutuários do esforço e do sacrifício de milhões de existências.

Cedamos algo de nós mesmos, em favor dos outros, pelo muito que os outros fazem por nós.

Recordemos, desse modo, o ensinamento do Cristo.

Se encontrares algum cadáver, dá-lhe a bênção da sepultura, na relação das tuas obras de caridade, mas, em se tratando da jornada espiritual, deixa sempre "aos mortos o cuidado de enterrar os seus mortos"


Site: Centro Espirita Seara dos Pobres